Depoimento de médico acusado de aborto dura 4 horas
Edinelson Alves
De Rolândia
Especial para a Folha
Durou mais de quatro horas o depoimento prestado pelo médico Orion Villanueva, de Rolândia, acusado de prática de aborto. Segundo o delegado Antonio do Carmo, ele não conseguiu esclarecer algumas dúvidas que foram levantadas durante o interrogatório. A principal delas está relacionada com as promissórias encontradas na clínica, durante a ação de busca e apreensão realizada na terça-feira.
Questionado como recebera uma promissória de R$ 700,00, o médico disse que foi resultado da venda de uma moto. Porém, ele não soube explicar quando havia comprado a moto, o ano, placa e outras informações básicas. Outras promissoras de R$ 320,00 e R$ 750,00 também não tiveram uma justificativa convincente.
Um outro fato considerado grave pelo delegado foi a falta de prontuário médico das pacientes. Perguntado sobre onde guardava os prontuários, o médico disse que não tinha porque só lhe interessava o nome das pacientes e idade. E mais: afirmou que todo final de mês faz uma queima de arquivo.
Sobre R.F., de Cornélio Procópio, que chegou a Fundação Arthur Thomas com forte sangramento provocado pelo começo de aborto, ele confirmou que a atendeu na quinta-feira pela manhã. Mas argumentou que ela o procurou já em trabalho de aborto. Ele também disse que cobrou R$ 50,00 pela consulta e outros R$ 1 mil pelo atendimento completo.
Orion Villanueva chegou a delegacia, às 14h30, acompanhado do advogado Deobaldo Tiago de Oliviera. Ele só saiu da sala do delegado perto das 19 horas e não quis fazer qualquer declaração.





