Depoimento de Celina foi interrompido pelo choro
Marcelo AlmeidaCelina: Os policias ficavam fazendo pressões psicológicasDepondo no primeiro dia de julgamento, Celina Cordeiro Abagge negou ter qualquer envolvimento com o assassinato de Evandro Caetano Ramos. Durante seis horas, ela contou o que tinha feito durante na véspera e nos dias seguintes ao crime. Por duas vezes, ela interrompeu o depoimento à juíza Marceline Weber Lorite, por estar chorando compulsivamente.
Celina afirmou que não tinha nenhum relacionamento com Osvaldo Marcineiro. Ele foi à prefeitura em busca de um alvará, para abrir uma tenda de búzio, relata, afirmando que depois disso veria Marcineiro em visita dele à sua casa, e depois que foram torturadas pela polícia. Ela garante que nunca participou de algum ritual de magia negra. Jamais encomendei algum trabalho ou estive num ritual de candomblé ou de umbanda, afirmou.
Ela disse que no dia e no horário do assassinato de Evandro (7 de abril de 1992, às 21h), estava na festa de aniversário de Nelson Cordeiro, onde ficou das 20h às 24h. Era uma churrascada, onde foram assessores da prefeitura e outros amigos, lembrou.
A parte mais tensa do depoimento foi quando Celina contou os momentos da tortura, que, segundo ela, teria sofrido quando foi presa pela polícia. Eles invadiram minha casa, por todos os lados, empurrando as cadeiras e gritando muito, lembra. Em seguida, ela e suas filhas Sheila e Beatriz teriam sido levadas ao Fórum. Beatriz e eu fomos levadas para uma sala e depois cada uma foi colocada num carro, contou, acrescentando que foram vendadas com as próprias roupas.
Os policias ficavam fazendo pressões psicológicas. Eu fui colocada sobre uma arma, que o policial queria que pegasse para ele poder me matar, informou. Celina afirmou que foi levbada para um casebre, onde teria sido jogada numa cama e levou um tapão na orelha que a fez desmaiar. Desmaiei diversas vezes com os socos no estômago e na orelha, quando acordava ouvia minha filha gritando, por causa das torturas, contou.
Eles pediam para que eu confessasse que tirei o pênis do menino, eu repeti, disse. Celina contou que depois repetiu tudo que eles queriam.
Nervosa com o relato, ela teve que ser retirada do tribunal, às 19h20, voltando às 20h. Para acalmá-la, a juíza pedia a Celina que tomasse água. Por volta das 22h, os advogados da defesa pediram outra interrupção, mas Celina pediu que o depoimento continuasse. Eu não pude falar esta história até hoje. Me deixe falar, disse. Celina disse que depois da tortura, elas assinaram os depoimentos que a polícia apresentou, sendo levadas para a delegacia de Guaratuba e depois para Curitiba.





