Depoimento de acusados é adiado para fevereiro e provoca protesto
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quarta-feira, 10 de dezembro de 1997
Guilherme Vieira 
Curitiba
Arquivo FolhaElisabete Zanella: suspeita que adiamento é estratégia de defesa dos acusados para prolongar duração do processoO adiamento para os dias 17 a 20 de fevereiro do depoimento dos acusados do assassinato do estudante Rafael Rodrigo Zanella, morto por policiais da Delegacia de Polícia de Santa Felicidade em maio deste ano, motivou ontem a revolta da família do rapaz. A mãe de Rafael, Elisabete Zanella, disse suspeitar que isso faz parte da estratégia de defesa dos acusados, que pretende prolongar a duração do processo. A alegação de estar internado na Santa Casa não deveria impedir o escrivão Carlos Henrique Dias de ser levado até de maca para depor, acusou Elisabete. É um desrespeito com as pessoas que compareceram e perderam seu tempo, enquanto ele, que é um acusado, é protegido pela impunidade, desabafou.
O promotor da 6ª Vara Criminal, Mário Esbalqueiro, disse que a decisão de se adiar os depoimentos foi tomada em função da impossibilidade do comparecimento do escrivão da Polícia Civil Carlos Henrique Dias, que comprovou através de documentos a falta de condições de saúde para depor. Segundo Esbalqueiro, o processo está tendo um bom andamento, e deve apresentar logo as suas primeiras conclusões. Somente para efeito de investigação dividimos o processo em dois, e um deles já deve ter uma sentença dentro de nove dias, informou.
O caso Zanella segue por dois caminhos diferentes, que vão ser unificados para apresentação em júri popular. Um deles apura as acusações contra o informante Almiro Deni Schmitt e os investigadores da Polícia Civil Airton Adonski Junior, Jorge Elcio Bressan e Reinaldo Gidnovski, todos presos. Este inquérito já está na fase das alegações finais, e dentro de nove dias chega às mãos do juiz da 6ª Vara Criminal, para que seja dada uma sentença, disse o promotor.
As outras investigações abordam a participação no crime do delegado da 12ª Delegacia de Polícia de Santa Felicidade, Francisco José Batista da Costa, do delegado-adjunto Maurício Bittencourt Fowler, do escrivão Carlos Henrique Dias e do investigador Daniel Luis Santiago Cortes, que aguardam em liberdade a conclusão do inquérito. Segundo o promotor, as investigações se concentram nas circunstâncias que envolveram a morte de Rafael Zanella, e no momento seguinte, quando foram plantados no carro do rapaz 500 gramas de maconha e uma arma.
O promotor informou ainda que os acusados respondem pelos crimes de homicídio, tortura, responsabilidade, prevaricação, fraude processual e usurpação da função pública.


