Depoimento aumenta as contradições
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terça-feira, 14 de abril de 1998
Cristine Pieske 
O depoimento do delegado da Polícia Civil, João Ricardo Keppes de Noronha, iniciado na tarde de ontem no Fórum de São José dos Pinhais, trouxe novas contradições para o julgamento de Celina e Beatriz Abagge. Noronha, que presidiu parte do inquérito que apurou a morte do garoto Evandro Ramos Caetano em 1992, afirmou que as rés não mencionaram nos seus depoimentos o fato de terem sido estupradas. Elas disseram ter sido vítimas de constrangimentos físicos e morais, mas não falaram em estupro, afirmou Noronha.
A principal tese da defesa é que mãe e filha somente confessaram a participação no crime porque foram forçadas a fazê-lo. Os advogados dizem que, além das torturas psicólogicas, Beatriz recebeu choques e foi violentada sexualmente por policiais militares antes de confessar. O delegado confirmou que os choques foram mencionados por Beatriz no interrogatório e que ela exibia inclusive algumas marcas nas mãos.
O depoimento de Noronha foi vago e na maioria das vezes ele disse não se recordar com precisão de datas e procedimentos tomados durante as investigações. Ele afirmou, no entanto, que se lembra que em nenhum momento do interrogatório as rés disseram ter participado do crime.
Marcelo AlmeidaTentativaPromotor Ribas quis evitar depoimento de Noronha, mas defesa negou
Alguns minutos antes do início do depoimento do delegado, o promotor Celso Ribas chegou a pedir que Noronha fosse dispensado, juntamente com outra testemunha da acusação, o professor Tristão da Silva Miranda. Segundo o promotor, a dispensa de duas testemunhas agilizaria os trabalhos do julgamento, que entrou ontem no seu 23º dia.
A defesa concordou com a liberação de Miranda - considerado uma testemunha importante somente no julgamento de Osvaldo Marcineiro, Vicente de Paula e Davi Soares -, mas não aceitou a dispensa do delegado Noronha. A defesa tem várias perguntas para fazer a ele que poderão esclarecer pontos obscuros existentes ao longo do inquérito policial, disse Antônio Figueiredo Basto. A juíza Marcelise Weber Lorite indeferiu a liberação do delegado, que deverá ser ouvido durante todo o dia de hoje.
Badan - O médico legista da Unicamp Baddan Palhares, que segundo os advogados de defesa poderia ser chamado para prestar esclarecimentos sobre a identificação do corpo de Evandro, disse ontem que não recebeu qualquer convite oficial para vir a Curitiba. Segundo o médico, ele sequer foi procurado pelos advogados do caso e somente ficou sabendo assunto quando ouviu a notícia pelo rádio. Ele afirmou também não conhecer detalhes do caso Evandro.


