Dependente teve tratamento suspenso
Dependente teve tratamento suspenso
Gilmara Dias, ao centro, fazia sessões de quimioterapia para combater uma leucemiaA situação vivida pelo professor Giovanetti Donizetti Dias, que contribui com o IPE há 13 anos, retrata o sucateamento da assistência médica prestada aos servidores estaduais. No ano passado, por falta de pagamento pelo governo do Estado, a Santa Casa de Misericórdia e o Instituto Sul Paranaense de Oncologia, ambos em Ponta Grossa, suspenderam o atendimento de sua filha, Gilmara Michele Dias, de 17 anos, que fazia tratamento de quimioterapia para combater uma leucemia lindóide aguda.
Apesar de reconhecer seus direitos como servidor e contribuinte do Estado, Donizetti foi obrigado a recorrer a fontes alternativas para garantir a continuidade do tratamento de sua filha. O professor lamenta, que mesmo tendo contribuído durante anos com o IPE, quando mais precisou da assistência do instituto ele e sua filha ficaram na mão.
Gilmara encontra-se em um tratamento de 36 meses, dos quais 15 já se passaram. A doença da estudante foi detectada em 19 de março do ano passado, quando tiveram início as sessões de quimioterapia. Gilmara tratou-se pelo IPE durante oito meses, até que a clínica onde fazia as sessões cancelou o atendimento aos servidores estaduais e seus dependentes, porque não vinha recebendo pelo serviço.
Os pais de Gilmara recorreram à Liga de Combate ao Câncer, aos amigos e até a prefeitura municipal, para conseguir recursos financeiros e dar prosseguimento ao tratamaneto da filha. Donizetti calcula que as despesas com a doença da filha já chegam aos R$ 40 mil, dos quais aproximadamente R$ 8 mil ele teve que tirar do próprio bolso.
Atualmente Gilmara faz sessões semanais de radioterapia em uma clínica em Curitiba. Decepcionada com o Estado, a família parou de procurar o IPE, e agora a Paranaprevidência. O tratamento de radioterapia está sendo feito através do Sistema Único de Saúde (SUS). A família de Gilmara fez como milhares de servidores, que na falta do IPE estão procurando atendimento pelo SUS.
Diante da experiência vivida em sua família, Donizetti lamenta o descaso do governo para com a saúde de seus funcionários, e espera que o caso de sua filha sirva para sensibilizar as autoridades competentes sobre a gravidade do assunto. De acordo com ele, os seus 13 anos de contribuição não foram suficientes para que sua filha tivesse a atenção necessária por parte dos órgãos responsáveis pela assistência médica dos servidores estaduais e seus dependentes.(G.F.)





