Dependência cresce mais entre jovens
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terça-feira, 07 de outubro de 1997
Curitiba 
Albari RosaReflexoTerapeutas avaliam que maior número de jovens internados reflete aumento do problema, que atinge as pessoas cada vez mais precocementeEm 1995, 30% dos pacientes internados na Clínica Nova Esperança, em Curitiba, para tratamento de dependências químicas eram menores de 18 anos. Essa porcentagem passou para 45% no ano passado e este ano chegou a 51% em alguns momentos. Os números são considerados pelos terapeutas da Nova Esperança como comprovantes de uma realidade não restrita à clínica: as drogas estão atingindo cada vez mais jovens e esse envolvimento é cada vez mais precoce. Pesquisas feitas anualmente pela Escola Paulista de Medicina revelam um aumento progressivo no contato dos jovens com as drogas. Nossa experiência só vem comprovar isso, diz o psicólogo Guilherme Azevedo do Valle. Segundo ele, neste momento há três adolescentes em tratamento na clínica: dois com 15 anos e um com apenas 13 anos de idade, todos dependentes de crack.
Segundo Valle, boa parte dos jovens que são internados consome mais de um tipo de droga. O mais comum é a associação de drogas ilícitas - como cocaína e crack - com o álcool: A maioria começa com a bebida, que é uma droga aceita socialmente. Há casos de crianças que começam a beber aos dez anos de idade.
De acordo com ele, as drogas penetram indistintamente em famílias de todas as classes sociais. Mas há fatores comuns à maioria das famílias com filhos dependentes. De modo geral, são desestruturadas e falta afeto, constata Valle. Ele ressalta que a falta de estrutura não está ligada necessariamente à separação dos pais, mas à capacidade de manter o vínculo afetivo.
Às vezes os pais são separados, mas não deixam as dificuldades pessoais interferirem no relacionamento com os filhos. Isso é fundamental para dar segurança e torná-los menos suscetíveis às drogas, diz o psicólogo. Segundo ele, experimentar drogas é uma consequência da curiosidade própria da adolescência. Mas desenvolver a dependência é um risco relacionado ao tipo de família.
É por isso que muitas vezes a Nova Esperança recomenda o internamento de jovens que ainda não são fisicamente dependentes e, em tese, poderiam ser tratados no ambulatório. São casos em que a família não tem estrutura para impor limites, diz Valle.
O aumento no número de pacientes jovens fez a clínica adaptar seus métodos. Lidar com adolescentes exige uma linguagem diferente, uma proximidade maior, afirma Valle. Além disso, é preciso estar mais atento às transgressões, como as tentativas de usar drogas.
O psicólogo lembra que os jovens nem sempre têm estrutura para suportar a marginalização a que são submetidos nos antigos grupos de amigos, depois do tratamento. Por isso, a manutenção da terapia ou a vinculação a grupos religiosos dão uma ajuda importante, afirma.


