Dependência afeta 40 mil, diz pastor
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segunda-feira, 26 de maio de 1997
Marccio W. Varella, de Maringá 
Marcos NegriniMarginalidadeMendigos dormem na antiga sede da Umes, que serve de ponto de venda de crack para menores de idadeQuinze por cento da população maringaense, ou seja, cerca de 40 mil pessoas, têm problemas relacionados a drogas, sejam elas o álcool, cocaína e seus derivados, a maconha, tranquilizantes e barbitúricos, disse ontem em Maringá o vereador e pastor Nilton Tuller (PSDB) na abertura do II Seminário Municipal sobre Drogas. O município tem 270 mil habitantes.
O vereador anunciou aos participantes do encontro promovido pelo Conselho Municipal de Entorpecentes de Maringá (Comem) que a partir deste mês, na sede onde funcionava a Escola de Reintegração do Adolescente, será iniciado um trabalho conjunto entre prefeitura e Universidade Estadual de Maringá (UEM). O objetivo é prevenir e recuperar dependentes jovens.
O pastor diz que o número de pessoas com problemas relacionados a drogas em Maringá é muito grande porque a cidade já faz parte da rota do tráfico de cocaína. Ficamos com parte da droga do Paraguai e Bolívia que se destina ao Sul do País. Já estamos hospedando o crack. Eu mesmo atendi o primeiro caso de overdose de crack de Maringá.
Segundo o pastor, a Organização Mundial de Saúde calcula em 10% da população mundial o número de seres humanos que têm algum problema com drogas. Este número varia de acordo com os países e as regiões.
O problema começa a ficar mais grave agora porque o crack, por ser mais barato que o pó, já está se espalhando. Existem pessoas que até podem fumar maconha e cheirar pó socialmente, sem desenvolver a dependência numa primeira etapa. Mas no caso do crack a dependência é imediata.
O pastor fundou, há 33 anos, uma clínica de recuperação para dependentes químicos em Maringá, chamada Movimento de Libertação da Vida (Molivi). O Molivi atende uma média de 120 dependentes por ano. A recuperação, que utiliza ensinamentos evangélicos e dispensa o uso de tranquilizantes, pode levar de seis até nove meses. Dos seus pacientes, 30% são dependentes de álcool e 70% de cocaína, crack e maconha.
Ponto de drogasO seminário foi realizado no plenário da Câmara Municipal de Maringá, que fica na Avenida Cerro Azul. Do outro lado da rua, cercada de tapumes, uma casa abandonada há mais de cinco anos, antiga sede da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umes), serve de abrigo a mendigos e sem-teto. Eles dormem na laje fria da casa, hoje com janelas e portas quebradas.
Segundo o pastor, nesta casa traficantes vendem drogas, principalmente cola de sapateiro, crack e cocaína, para menores de idade. Em batidas realizadas semanalmente, a polícia já prendeu alguns traficantes. Segundo a polícia, os menores são filhos de classe média e meninos de rua.


