Depen diz que PR é modelo carcerário
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quarta-feira, 15 de agosto de 2001
Marta Medeiros<BR>De Maringá 
O diretor do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Angelo Roncalli de Ramos Barros, disse ontem em Maringá que o Ministério da Justiça quer incentivar os estados brasileiros a reestruturarem o sistema carcerário e o modelo mais adequado é do Paraná.
Segundo Barros, o Ministério luta pelo modelo descentralizado e regional de unidades como de Maringá e Londrina. ''Temos que evitar a construção de penitenciárias só nos grandes centros urbanos'', ressaltou o diretor. Barros visitou ontem a Penitenciária Estadual de Maringá (PEM).
Para o diretor nacional, o Brasil só vai conseguir se livrar do caos do sistema penitenciário quando os estados agilizarem o processo de reestruturação e investirem na construção de unidades regionais. O diretor conta que o Ministério da Justiça luta hoje por um enfoque de recuperação do detento, mas que até alguns anos atrás o pensamento central era apenas da custódia.
''A própria comunidade tem um sentimento punitivo e de vingança muito forte em relação ao preso. Só quando o vê em celas superlotadas desenvolve a piedade e aí não sabe o que faz com este problema'', lembra Barros.
O diretor do Depen nacional disse que ficou impressionado com a estrutura da Penitenciária de Maringá e com os programas e parcerias desenvolvidos entre a PEM e entidades ou órgãos do próprio governo. ''É muito bom poder ver detentos trabalhando em hortas e estudando'', destacou Barros. ''Mesmo com problemas na Penitenciária Central, o Paraná é exemplo de sistema mais profissional'', acrescentou o diretor.
Barros contou que falta no Brasil uma estatística mais profunda sobre o sistema penitenciário. Segundo o diretor nacional, a média de reincidência dos presos no País ultrapassa 30%. Conforme o diretor da PEM, coronel Antonio Tadeu Rodrigues, o índice da unidade de Maringá é de 11,5% dos 1.359 detentos que passaram pelo local de abril de 1996 a julho deste ano.
Na Penitenciária de Londrina, segundo Rodrigues, é de 10,5%. ''Se outros estados iniciassem um trabalho para atingir índices como do Paraná não teríamos metade dos problemas que temos hoje'', lamentou Barros.


