O Departamento Penitenciário (Depen) deve instaurar sindicância para apurar denúncias de tortura contra os presos que participaram da tentativa de rebelião na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) no último dia 13. Ontem à tarde, o coordenador do Centro de Direitos Humanos (CDH), Jorge Custódio, e o presidente do Conselho da Comunidade, Gelson Gil, estiveram no local para conversar com os 20 detentos encarcerados na área de isolamento e ficaram surpresos com os relatos.
‘‘Todos estão com ferimentos de balas de festim e marcas de cacetetes pelo corpo. Mesmo separados em sete celas, eles contam a mesma história e apontam seis agentes como os autores da violência que só parou há três dias’’, afirmou Custódio. Os presos dizem que as agressões são represálias e se sentem ameaçados por divulgarem a situação.
A auxiliar de cozinha desempregada Maria das Dores Silva foi a primeira a registrar queixa na PEL. Ela é mãe de Agnaldo Gomes da Silva, um dos oito detentos acusados de machucar os reféns durante a tentativa de rebelião. Depois de duas semanas sem ver o filho Maria das Dores se emocionou ao encontrá-lo ferido. ‘‘Ele me contou que apanhou muito, mas que agora está tudo bem. Um dos companheiros dele quase morreu sufocado num tanque d’água com o rosto coberto. Não sei por que estão fazendo isso. Eles já estão pagando pelo que fizeram’’, criticou a mãe.
As declarações dos presos serão levadas ao coordenador do Depen, Pedro Marcondes; ao delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Gilson Garret Algauer; ao juiz corregedor de presídios, Roberto do Valle e ao diretor da PEL, Dyson Ferreira de Pinho. ‘‘Estamos sugerindo que os agentes envolvidos sejam afastados do trabalho; todos os presos isolados, ouvidos e que o delegado abra um inquérito policial para investigar o caso’’, explicou Custódio.
Para Gil, a somatória de todas as ocorrências dentro da penitenciária desgastam a imagem da direção e podem provocar uma mudança no cargo. Pinho concorda que a situação é delicada, mas disse que está se empenhando para solucionar o problema. Apesar com a autorização do coordenador do Depen, o juiz corregedor não permitiu que os jornalistas acompanhassem a visita das entidades à PEL.

mockup