Denúncias teriam gerado demissões na Usoil
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quarta-feira, 08 de setembro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O Instituto Social Oficial de Internação de Londrina (Usoil) enfrenta sua pior crise desde o início das internações de adolescentes infratores, em 26 de julho. Pelo menos seis pessoas entre ela, o diretor da unidade, Tito Valle teriam sido demitidas na última segunda-feira, depois que funcionários denunciaram a falta de condições de prédio e o tratamento dispensado aos menores. A denúncia foi feita através de um documento, encaminhadoi ao Ministério Público (MP), Centro de Direitos Humanos e outras entidades. A unidade, mais conhecida como Educandário, abriga cerca de 50 internos e já contabilizou pelo menos três rebeliões desde sua inauguração, além de constantes confusões provocadas por grupos de internos rivais.
Segundo funcionários da Usoil, que pediram para não ser identificados e que entregaram uma cópia do documento à Folha, o próprio secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, padre Roque Zimmerman, teria dado uma bronca geral à equipe, na última segunda-feira, além de demitir o diretor e outros funcionários. Um deles que pediu para não ser identificado confirmou as demissões e ressaltou que outros já pediram para sair devido às más condições de trabalho.
Segundo o funcionário, numa das últimas ocorrências, que foi omitida da imprensa, um dos internos teria sido ferido com um estoque (instrumento pontiagudo) por outro adolescente. Ele foi medicado e a queixa registrada. Um segundo funcionário que também teve a identidade preservada revelou que com apenas um copo de água e uma escova de dentes, os internos conseguem retirar ferros das paredes que são usados como armas. Por causa disso, a construção foi apelidada de ''castelo de açúcar''.
No comunicado, apoiado por 53 funcionários, foi relatado que o treinamento teórico oferecido pelo Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp) durou apenas quatro dias e não foi suficiente para dar segurança aos aprovados no concurso. Eles apontaram que, ao contrário do que havia sido acertado, as internações ocorreram em ritmo mais acelerado do que o previsto, prejudicando o trabalho dos educadores e desobedecendo normas relacionadas à segurança de internos, funcionários e ao funcionamento da unidade. O relatório denuncia também que o número de educadores contratados seria 40% menor do que prevê o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e Adolescência (Conanda). E detalha também que, entre os muitos problemas estruturais do prédio, o sistema de tranca das portas permite a retirada de barras metálicas com facilidade.
Os funcionários apontaram que os internos os pressionam por causa da falta de condições da unidade e da falta de atividades pedagógicas, educativas, culturais e esportivas. Por causa da ausência de lavanderia, eles têm que permanecer com as mesmas roupas por vários dias. Outra reclamação é a proibição de visitas que deixa os menores mais agressivos, pois a maioria veio transferida de outras cidades e não tem contato com suas famílias.
O relatório elenca inúmeros outros problemas que não estariam sendo observados pelo Iasp e anexa trechos pertinentes da legislação.


