Denúncias sobre máfia da morte na PCE serão investigadas
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quinta-feira, 10 de maio de 2001
Andréa Lombardo De Curitiba 
O coordenador do Departamento Penitenciário (Depen), Pedro Marcondes, afirmou ontem que vai abrir sindicância para apurar as denúncias de que internos estariam pagando pedágio como garantia de vida dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). Paralelamente, será instaurado inquérito policial. A decisão foi divulgada durante reunião entre representantes das comissões de Segurança Pública e de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa.
O deputado estadual Ricardo Chab (PTB), que preside a Comissão de Segurança Pública disse que o Depen tem prazo de cinco dias para apresentar esclarecimentos se há ou não uma máfia da morte dentro da PCE. Ele mostrou na reunião um recibo, no valor de R$ 100,00 com data de 24 de abril deste ano, que teria sido pago pela irmã de um preso para que ele não fosse morto por outros detentos.
O dinheiro teria sido depositado em nome do interno Ermínio Soares (nome que aparece no recibo), condenado a 17 anos. Os familiares que levam dinheiro ou outros objetos para os internos preenchem um recibo na portaria da PCE, identificando para quem se destina.
Para Chab, a circulação de grandes quantias de dinheiro dentro da penitenciária não tem explicação. A menos que seja para alimentar o tráfico de drogas ou para manter o poder lá dentro.
Segundo a denunciante, esta seria a terceira vez que paga o pedágio da morte. O valor estipulado pelos internos seria de R$ 120,00 mensais. No último mês, ela teria ficado devendo R$ 20,00. O irmão está preso (por roubo) há um ano e quatro meses (os últimos três na PCE). A sentença do preso ameaçado, de seis anos, foi anulada pelo Tribunal de Alçada, por isso Chab entende que sua situação dentro da PCE é irregular.
De acordo com Marcondes, desde a manhã de ontem, o preso foi retirado de sua cela e colocado na sala do diretor do presídio. Ainda ontem, ele seria provisoriamente removido para o Centro de Observação Criminológica e Triagem (COCT) até que a Justiça aplique nova condenação.
Marcondes não acredita que haja um grupo dentro da PCE controlando a vida dos outros presos e descarta que exista cultura do pedágio na penitenciária. Ele também nega que as nove mortes ocorridas do início do ano até agora tenham relação com essa prática.
Na próxima semana, representantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados de Brasília, presidida pelo Padre Roque Zimmermann (PT-PR), virão a Curitiba para investigar as denúncias de pedágio na PCE.


