O Disque 100 realizou, no total, 324.892 atendimentos no ano passado e encaminhou 270.801 denúncias aos órgãos responsáveis. Destes, 137.516 atendimentos estavam relacionados a violações de direitos humanos. O serviço recebeu, em média, 376 denúncias por dia. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
O serviço pode ser utilizado para denunciar abuso e exploração sexual e casos de violação de direitos humanos que abrangem toda a população, em especial, grupos sociais vulneráveis como pessoas em situação de rua, idosos, pessoas com deficiência e população LGBTT.
A maior parte das denúncias diz respeito a crianças e adolescentes. O serviço telefônico recebeu, no ano passado, informações relacionadas a 80,4 mil possíveis casos de abusos contra menores de 18 anos. Houve diminuição desse tipo de denúncia em relação a 2014, quando o serviço fez 91,5 mil atendimentos. No entanto, a queda não significa, necessariamente, que houve redução na prática de violações de direitos.
Segundo a ouvidora nacional dos Direitos Humanos, Irina Bacci, esse recuo em 2015 deve-se à realização de uma campanha permanente em todo o ano de 2014 quando foi realizada a Copa do Mundo no Brasil. Irina destacou que o Disque 100 recebe as ligações e acompanha os encaminhamentos feitos junto aos órgãos responsáveis, para garantir providências efetivas.
De acordo com a Secretaria de Direitos Humanos, os números não refletem queda ou aumento da prática de violência e violação de direitos no país, já que cada denúncia pode se referir a mais de um tipo de violação. É o caso dos relatos de violência contra idosos, que podem ser também portadores de algum tipo de deficiência.
O número de denúncias de violação de direitos da pessoa idosa chamou a atenção: o Disque 100 fez 32,2 mil atendimentos desse tipo no ano passado. Os atendimentos referentes a pessoas com deficiência foram 9,6 mil e os relativos à população LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), 1,9 mil.
Já as denúncias sobre desigualdade racial chegaram a 1,06 mil e as relacionadas à violência contra a mulher chegaram a 1,5 mil. "Mulher, negra, de 18 a 30 anos e, se considerar gênero, LGBTT. Esse é o perfil da violência hoje. População LGBTT, mulheres e negros são vítimas de grupos de ódio, inclusive pela internet", afirmou o secretário especial de Direitos Humanos, Rogério Sottili.
"É um serviço de utilidade pública e, além de atender as pessoas que nos procuram, faz parte de um processo de transparência do governo federal. Nós queremos que a população acompanhe como tem sido esse trabalho, quais são as principais queixas que temos vivido", disse a ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes.

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