Denúncias afastam direção de orfanato
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terça-feira, 09 de dezembro de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
Ossamu KandaSindicância internaLar Estrela de Belém, fundado há 40 anos, mantinha atendimento inadequado às crianças e adolescentesDenúncias de irregularidades que vão de alimentação inadequada às crianças a aplicação indevida de recursos afastaram toda diretoria do Centro Evangélico Lar Estrela de Belém, em Mandaguari (33 quilômetros de Maringá). O afastamento provisório foi determinado pelo juiz da Vara da Infância e Juventude, Devanir Cestari.
O Lar Estrela de Belém foi fundado há 40 anos e atende 20 internos e 120 crianças que estão na creche e no reforço escolar. Há cinco meses, funcionários e vizinhos da entidade denunciaram uma série de irregularidades que estavam sendo cometidas pela diretoria afastada. As denúncias foram feitas no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente que criou uma comissão para apurar as irregularidades. Com o afastamento da diretoria, a comissão ficou responsável pela administração da entidade.
De acordo com a presidente da comissão de sindicância interna Elza Marteli Xavier, a entidade recebe recursos da Secretaria de Estado da Criança e da Família e de organizações não-governamentais. A comissão constatou que boa parte dos recursos eram aplicados indevidamente, não atendendo às exigências dos projetos de solicitação de verbas. A entidade também mantém atendimento para um número de crianças e adolescente bem menor do que o registro oficial. Há projetos em que a direção afirmava que o atendimento era para 280 crianças, mas a entidade atende bem menos que isso, afirma Elza.
Outra irregularidade constatada pela comissão se refere à alimentação das crianças. Conforme Elza, a alimentação era inadequada e a cozinha tinha pouca condição de higiene.
Nos contratos de convênios, a direção do lar também afirmava que as crianças recebiam tratamento médico e odontológico dentro da entidade, mas a comissão constatou que não há nenhum profissional atendendo no local. As crianças eram atendidas nos postos de saúde municipal, explicou Elza.
A comissão ficou impressionada no início das investigações com as condições dos alimentos servidos às crianças e as roupas que elas usavam. Os internos vestiam roupas muito velhas e rasgadas dando uma impressão de pobreza que não condiz com os recursos e ajuda recebidos pela entidade, disse. O mais grave, conforme Elza, é que a entidade mantém um quarto que é chamado pelos funcionários de quartão, abarrotado de roupas, calçados e acolchoados que foram doados pela comunidade.
O uso particular dos três carros da entidade pela família do presidente afastado, Celso Rueles Marques e o superfaturamento na reforma de uma casa lar também foram denunciados. Além de Marques, a mulher e o filho dele eram funcionários da entidade e também foram afastados.
Marques foi procurado ontem pela Folha. O filho dele disse que ele não estava em casa. Ele não retornou a ligação até o fechamento deste Caderno. A comissão que está administrando provisoriamente a entidade deve se manter no cargo até a sentença da Justiça.


