Denunciante diz que está sendo perseguido
Dimitri do Valle
De Curitiba
O servidor municipal Roberto Rocha, 56 anos, acusa a Prefeitura de Curitiba de perseguição. Rocha foi o responsável pela denúncia na Câmara de Vereadores e no Ministério Público da dupla desapropriação de um mesmo terreno público. O servidor também revelou que o imóvel quase foi permutado por outra área de domínio público. Se concretizada, a transação seria ilegal.
Rocha diz que deveria ter se aposentado há sete meses, mas a Procuradoria Geral do Município, setor onde trabalhava quando fez as denúncias, é acusada de atrasar o processo. Entre 98 e o ano passado, o funcionário público afirma ter sido transferido de função por cinco vezes.
A negociação abortada por Rocha envolve o terreno desapropriado em 86 para a construção de um centro escolar na Vila Fany. O complexo educacional foi inaugurado em 88. Em março de 96, o então prefeito Rafael Greca promoveu nova desapropriação da mesma área. No mês de agosto do mesmo ano, Eliseu Siebert, antigo dono da área, vendeu o terreno para a família Zugman, que tentou permutar o imóvel com outro terreno no Batel. Ao contrário do que alegou Siebert na semana passada, quando disse que nada recebeu pela desapropriação, Rocha garante que a prefeitura depositou em juízo cerca de 80% do valor da área.
O prefeito Cassio Taniguchi chegou a ser denunciado por crime de responsabilidade na Câmara de Vereadores. Os Zugman conseguiram registrar o terreno antes da própria prefeitura. Rocha, que foi o autor da denúncia, procurou em seguida o Ministério Público, já que segundo ele, a Câmara não tomou providências sobre o caso. Para Rocha, a prefeitura deveria entrar com uma ação de reintegração de posse para confirmar a sua propriedade sobre o terreno onde se encontra a escola.
A Procuradoria Geral do Município, por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, negou que esteja perseguindo Roberto Rocha. O servidor só não se aposentou, segundo a assessoria, porque ainda não atingiu os 35 anos de serviço exigidos pela legislação trabalhista. A procuradoria informou que se o servidor tivesse direito ao benefício, poderia conseguí-lo com um mandado de segurança. Rocha diz que não pode processar o município.





