Denunciado plano para assassinar juiz
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terça-feira, 26 de janeiro de 1999
Paulo Pegoraro 
O Ministério Público (MP) da Comarca de Cascavel recebeu denúncia que estava sendo preparado o assassinato de dois promotores e do juiz Rosaldo Pacagnan, da 2ª Vara Criminal. Desde a semana passada, tramita na 2ª Vara o processo contra três delegados e três investigadores da Polícia Civil (PC) e contra Ivan Serafim Borges, que pretendia encomendar o assassinato a pistoleiros. A informação sobre o plano (e seus detalhes), obtida pela Folha na tarde de ontem, foi confirmada por duas fontes oficiais, que pediram para não serem identificadas.
O processo em mãos do juiz Pacagnan originou-se de uma denúncia do MP contra policiais que davam cobertura a Borges para que atuasse como policial, mesmo havendo contra ele acusações em várias comarcas do Estado. Borges, que também é investigado pela Procuradoria da República por indícios de enriquecimento ilícito, foi preso pela Polícia Militar (PM) no dia 9, com um carro, armas, coletes e outros objetos da PC. Em vez de ser levado para a PC, ele foi conduzido diretamente ao MP, onde disse que só deporá em juízo.
Por decisão da Justiça, considerando que o caso envolve policiais civis, Borges está sendo mantido numa cela do 6º BPM, onde também estava preso o cabo Sérgio Paulo da Silva, da PM de Rondônia, preso sob acusação de tráfico de cocaína. Segundo a informação obtida ontem pela Folha, foi Silva quem revelou ao comando do 6º BPM o plano para assassinar o juiz Rosaldo Pacagnan. O cabo foi levado pelo comando ao Ministério Público, onde ratificou a denúncia aos promotores Guilherme Teixeira e Eduardo Monteiro.
O depoimento foi acompanhado pelo presidente da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil, Maurício Vieira, e pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da subseção, Sérgio Bond Reis. Segundo detalhes obtidos pela Folha, o cabo Silva ouviu uma conversa entre Ivan Borges com sua mulher, Edinéia Sicbneihler, numa visita que ela lhe fez, durante a qual falou sobre contatos com pistoleiros do Paraguai, com os quais tem relações, para que executassem o juiz. Não há detalhes sobre pagamento, dia e forma de execução do crime.
Em um trecho da conversa, Borges teria dito que Rosaldo Pacagnan, ao iniciar o processo em curso, havia assinado sua sentença de morte. O preso deve depor nos próximos dias, na instrução do processo, por isso o MP não requisitou sua presença para confirmar ou negar a existência do plano. O comando da PM informou, à tarde, que o cabo Sérgio Paulo da Silva foi transferido para outra cidade da região, para que não permanecesse na mesma cela (a única existente na unidade) de Ivan Borges.


