DENÚNCIA NA SAÚDE - Nedson exige que médicos cumpram horário
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sexta-feira, 21 de maio de 2004
Chiara Papali<Br>Reportagem Local 
A secretaria de Saúde de Londrina iniciou um levantamento ontem para detectar quais são os médicos que não estão cumprindo a carga horária para a qual foram contratados. A denúncia de que alguns médicos estariam trabalhando três ou quatro horas nos postos de saúde, ao invés das seis previstas em contrato, foi feita anteontem durante o 6º Seminário Regional do Ministério Público (MP) para discutir a fiscalização dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), pediu providências ''para que a população não seja prejudicada''. ''Carga horária tem que ser cumprida'', afirmou.
Ontem, o promotor de Defesa da Saúde Pública da cidade, Paulo Tavares, instaurou procedimento administrativo para apurar a denúncia. A Associação Médica de Londrina (AML) divulgou nota repudiando o que considera uma tentativa de ''responsabilizar o profissional médico para justificar os problemas de saúde pública em Londrina''. Segundo o presidente da AML, Aparecido José de Andrade, o órgão nunca recebeu qualquer denúncia de irregularidades no exercício profissional do médico na rede pública de saúde da cidade, ''que os levariam a tomar as medidas cabíveis''. ''Há o médico mal remunerado, o que não justifica o não cumprimento adequado da jornada de trabalho. Mas uma coisa é a relação trabalhista, outra são os problemas que culminam com a falta de leitos e a superlotação dos hospitais. Não dá para responsabilizar o médico por isso'', afirmou.
Segundo a diretora executiva da secretaria de Saúde, Margaret Schimiti, pelo menos 85% dos 350 médicos que atuam na assistência básica cumprem a carga horária. Dos que não cumprem, Margaret ressaltou que é necessário fazer um estudo caso a caso, já que, segundo ela, há algumas situações em que o médico está afastado por licença mas não apresentou atestado médico, situações de compensação de horas extras, e casos de plantonistas que não cumpriram o total de horas no mês por causa da escala agendada pela própria secretaria. ''Há desconto no salário quando há atrasos ou o empregado não cumpre o total de horas, mas temos que ser criteriosos, com certeza não é a maioria (dos médicos) que sai mais cedo'', afirmou.


