Andar de ônibus transformou-se em sinônimo de dificuldades para o deficiente físico Edson Martins de Oliveira, 30 anos, de Arapongas (37 km a oeste de Londrina). Ele denunciou ontem à Folha que os portadores de deficiência física que utilizam o ônibus da linha metropolitana da Viação Garcia, entre Londrina e Apucarana, não são isentos da tarifa e são obrigados a passar pela roleta. A linha foi implantada em dezembro.
Portador de deficiência em decorrência de paralisia infantil, Edson afirma que é impossível passar pela roleta. Mesmo pagando a tarifa, ele conta que era impedido de descer pela porta da frente. ‘‘Uma vez cheguei a voltar para Apucarana porque não consegui descer em Rolândia’’, disse. ‘‘Ameaçaram chamar a polícia se eu insistisse em descer pela porta da frente.’’ Como vendedor de bilhetes, Edson viaja diariamente para Rolândia, Londrina e Apucarana.
Ele explicou que procurou a direção da empresa várias vezes, mas que só foi atendido depois de ter ameaçado procurar a imprensa. ‘‘Eles alegaram que eu teria que pagar porque não existe uma lei que determine que os deficientes físicos devam ser isentos da tarifa.’’
Segundo o chefe em Curitiba da Divisão de Serviços do Transporte Comercial (DSTC), Roberto Blasi, há uma instrução normativa do Departamento de Estradas e Rodagens do Paraná (DER) que determina a isenção da cobrança de tarifa em ônibus metropolitano para idosos acima de 65 anos e para portadores de deficiências físicas.
Blasi explicou que são feitas fiscalizações semanais e que as empresas que não cumprem a instrução podem ser multadas em R$ 270,00 e em casos de reincidência a punição vai de advertência a perda da linha. O chefe do DSTC orienta aos usuários que denunciem estes casos ligando para o DSTC. ‘‘Os números para ligação gratuita estão em cartazes em todos os veículos, postos de vendas e terminais’’, afirma.
O gerente de vendas da Garcia, Nelson Ribeiro, afirma que desconhece a instrução normativa que determina a isenção da cobrança de tarifa para deficientes físicos, mas alega que a empresa não pretende criar nenhum problema. ‘‘Hoje (ontem) mesmo vou determinar que seja feita uma instrução de serviço determinando que a partir de amanhã (hoje) todos os deficientes físicos entrem e saíam pela porta da frente, sem precisar pagar tarifa e passar pela roleta’’, garante.
Nelson Ribeiro disse ainda que a determinação será estendida para o ônibus Metropolitano da empresa em Maringá.

mockup