Denúncia envolve mais 5 policiais
Além do delegado de Campo Largo, Marcos Antônio de Oliveira, dois investigadores e o escrivão da Delegacia de Campo Largo e dois agentes da Delegacia de Furtos e Roubos, de Curitiba, são acusados de participar da sessões de tortura durante interrogatórios. Em entrevista à Folha, a vítima disse que, após ser espancada na Delegacia de Campo Largo, foi levada à Delegacia de Furtos e Roubos, na qual foi posta no pau-de-arara e passado por sessões de afogamento e choques.
Conforme a vítima e Ana Paula, que conhece os policiais de Campo Largo, os agentes envolvidos nas agressões são Moacir Santos Silva e Fernando de Freitas e o escrivão Patrich Mazzolli. A vítima afirmou não conhecer os dois agentes da Furtos e Roubos, que teriam participado das agressões. ‘‘Estava escuro e eu estava deitado. Mas sei que são dois baixinhos’’, disse. Ainda com dores no corpo e marcas nos braços, a vítima afirmou que as agressões ocorreram com um pedaço de pau, que seria chamado de ‘‘remo’’ pelos torturadores. ‘‘Me deixaram algemado e nu, no chão. Batiam de todo. Acabaram com minha saúde. Agora minhas costas parecem enferrujadas’’, acusou.
A vítima disse ter ficado tão traumatizada com as agressões que pensou que seria preso novamente quando foi procurado pelo autônomo Jairo Chiquito Bandeira, 42 ano, irmão de Raquel. ‘‘Quando chegamos na casa dele, ele começou a chorar’’, disse Bandeira. O autônomo pediu para a vítima depor contra o delegado depois que Raquel foi acusada por Oliveira de envolvimento com tráfico de drogas.
O investigador Fernando de Freitas afirmou desconhecer as denúncias apresentadas pela colega de trabalho. ‘‘Até o momento desconheço os fatos’’, afirmou. O policial disse que se surpreendeu com a atitude de Raquel. ‘‘Acho estranho tal atitude dessa senhora. Não é do meu feitio tratar o detento dessa maneira’’, declarou. Freitas disse que teve ‘‘educação familiar’’ para agir sempre dentro da lei. O relacionamento com Raquel, segundo Freitas, ‘‘era superficial’’, já que ambos sempre trabalhavam em plantões diferentes. ‘‘Mas nunca me indispus com ela’’, acrescentou.
O escrivão Patrcih Mazzolli não quis fazer comentários a respeito das acusações. Alegou que teria de consultar seus superiores e esperaria sua convocação para prestar os esclarecimentos na Corregedoria da Polícia Civil. A Folha tentou ouvir o investigador Moacir Santos Silva, mas ele não foi encontrado na delegacia. (J.A.) e (D.V.)

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