Denúncia é a arma de mulheres contra agressões
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terça-feira, 23 de novembro de 2004
Jacira Werle<br>Reportagem Local 
A cada 15 segundos, uma mulher sofre algum tipo de agressão no Brasil; sete milhões de brasileiras acima de 15 anos já foram agredidas pelo menos uma vez; 70% das mulheres vítimas de assassinato foram mortas por seus próprios maridos. Esses números, da Organização Mundial da Sa© úde e da Anistia Internacional, mostram que a violência contra a mulher continua sendo um problema muito sério, e a realidade em Londrina não é menos grave.
Dados do Centro de Atendimento à Mulher (CAM) registram de 40 a 50 casos por mês na cidade. Para tentar mudar isso, está sendo lançada hoje a 12 edição da Semana Municipal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher. Até o dia 30 serão realizadas palestras e debates para chamar a atenção da sociedade para o problema.
'' O homem aprendeu a mandar e compara a mulher a um objeto'', diz a secretaria municipal da Mulher, Márcia Maria Lopes de Souza. Segundo ela, 65% dos agressores são pessoas próximas à mulher, o que torna mais difícil a denúncia. Segundo a diretora de ações de enfrentamento à violência contra a mulher, Sandra Coelho, as mulheres suportam em média nove anos de violência até tomarem coragem para fazer a denúncia. Outra questão a ser considerada é que nem toda a agressão é visível. Uma pesquisa da secretaria revela que em 53% dos casos de violência a mulher sofre pressão emocional, 40% física, 4% violência sexual e, 1% moral.
No entanto, muitas vezes a violência é fatal. E a vítima não tem nenhuma chance de se recuperar. Foi assim com a estudante de enfermagem Elina Maria Rodrigues Gomes Dessunti, 23 anos, morta com um tiro na cabeça no dia 2 de abril deste ano. Elina foi encontrada no quarto da casa onde vivia com o marido. O homicídio aconteceu na Zona Oeste de Londrina. Quase oito meses depois do crime, a mãe da vítima, Aliete Rodrigues Gomes, luta por justiça. Até agora, ninguém foi condenado pelo crime.
Só este ano, 18 mulheres foram assassinadas em Londrina. Algumas, com extrema violência como Claudiceia da Silva Furlan, 22 anos, morta com 21 facadas dentro de casa no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste). Os números não dão a dimensão de tragédias como a de Andrea Cabral, 21 anos, executada com um tiro na nuca no Jardim Columbia (Zona Oeste). Ela era aluna do 1º ano de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina e foi assassinada junto com a amiga Rubia Graziela da Silva, de 21 anos.
Com o tempo, só as famílias e os amigos guardam as memórias e o medo da violência. Histórias como a de Angela Pedro de Souza, 38 anos, morta numa construção abandonada no Novo Amparo (Zona Leste). Para a polícia, ela é a última mulher em uma longa lista de homicídios que já tem 159 nomes, só este ano.
Para a secretária da Mulher, a solução dos problemas relacionados à violência contra a mulher passa pela educação das crianças, quando se gera uma mudança de mentalidade. ''As pessoas precisam aprender que somos diferentes, não desiguais'', aponta. Ela também afirma que as mulheres precisam aprender a se defender, denunciando e procurando ajuda. Márcia explica que a prefeitura tem três serviços disponíveis para socorrer mulheres em situação de risco: Centro de Atendimento à Mulher (CAM), Rosa Viva e Casa Abrigo. O CAM presta atendimento amulatorial, jurídico e social às mulheres. O Rosa Viva, em parceria com a secretaria de saúde, disponibiliza remédios contra Aids e gravidez. Já a Casa Abrigo recebe mulheres e filhos vítimas de violência que não tem condições financeiras de se manterem. (Colaborou Phoenix Finardi)
Serviço:
O Centro de Atendimento à Mulher funciona na Rua Pegoraro, 251, das 10 às 16 horas para primeira triagem
Rosa Viva atende na Rua Jacob Bartolomei Minatti, 350, funciona 24 horas por dia
Delegacia da Mulher fica na Rua Goiás, 287, atende em horário comercial


