Denúncia de tortura gera protesto
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de maio de 1999
Maigue Gueths 
Especial para a Folha
O chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, declarou ontem que o governo do Estado está processando o Instituto de Políticas Alternativas Cone Sul, que através de mensagens via internet e fax vem denunciando a Polícia Militar pela prática de tortura contra os sem-terra durante as operações de desocupações que vêm sendo realizadas no interior do Estado. O governo, através da Casa Civil, já enviou ontem carta à Procuradoria Geral do Estado pedindo para que tome providências contra o Instituto.
As denúncias deste Instituto são genéricas e exageradas, diz o chefe da Casa Civil, que rebate as acusações lembrando que o governo tem vídeos e depoimentos que provam que não houve tortura nas desocupações.
O coordenador estadual do Movimento dos Sem-Terra (MST), Dirceu Boufler, sustenta as denúncias e conta que o material divulgado pelo Instituto é repassado pelo próprio MST. É muita cara-de-pau do governo dizer que as desocupações estão sendo feitas de forma pacífica e dentro da normalidade. Temos gente hospitalizada, um atingido por bomba de efeito moral, gente roxa de tanto apanhar, um homem de 84 anos com a coluna fraturada, gente ameaçada por faca, outros que tiveram que comer esterco e até ameaça de estupro com cana-de-açúcar, diz. Se o governo acha que isto não é tortura, então não sei o que ele pensa, continua. Para o MST, se o governo quiser nos prender porque estamos denunciando, que prenda. Ele tem que aprender que sem-terra e reforma agrária não são um caso de polícia, mas sim um problema social que depende dele para ser resolvido.


