O delegado Domingos Wesley Cury, que preside a Comissão Permanente de Sindicância e Processo Administrativo Disciplinar da Secretaria de Estado da Segurança, iniciou ontem as investigações sobre a suposta cobrança de ‘‘pedágio’’ entre os presos da Penitenciária Central do Estado. O interno, que teria sido vítima de extorsão, sob ameaça de morte, foi o primeiro a ser ouvido. Ele está isolado numa cela do Centro de Observação Criminológica e Triagem (COCT), para onde foi transferido anteontem, por questão de segurança.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança informou que detalhes sobre o que está sendo apurado nas investigações só deverão ser divulgados na próxima segunda ou terça-feira, pelo secretário José Tavares.
Nesse período, a sindicância vai tomar depoimentos da irmã do preso, autora da denúncia, e do detento Ermínio Soares, suposto favorecido com o pagamento de R$ 100,00. A intenção é ouvir, ainda, agentes penitenciários e outros internos que possam ter testemunhado qualquer prática ilícita dentro da PCE. ‘‘As investigações objetivam, sobretudo, apurar se está havendo participação ou negligência por parte dos funcionários da penitenciária, além de responsabilizar criminalmente quem supostamente praticou a extorsão’’, observou o coordenador do Departamento Penitenciário (Depen), Pedro Marcondes.
Marcondes reafirmou, ontem, que a denúncia feita esta semana, a princípio, parece tratar-se de um caso isolado, já que o fato, até agora, baseia-se apenas no que o preso disse à sua irmã. Para ele, há a possibilidade de que a suposta vítima teria inventado uma ‘‘história fantasiosa’’ para obter dinheiro de seus familiares. ‘‘Não estou fazendo pré-julgamento ou afirmando que a extorsão não possa ter acontecido de fato’’, remendou. ‘‘A sindicância é que vai apurar isso.’’
O secretário José Tavares, informou Marcondes, designou um delegado especial para providenciar abertura de inquérito policial. Também encaminhou ofício ao Ministério Público para que o órgão indique um promotor para acompanhar as investigações. ‘‘Os deputados da Comissão de Segurança e de Direitos Humanos também poderão acompanhar as diligências, caso tenham interesse.’’

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