Londrina

Dorico da SilvaLivro abertoA dona do Sebo Londrino, Elisa Figueiredo: ‘É constrangedor’Livros doados à Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina (UEL) foram furtados e estavam sendo revendidos por livrarias e sebos - especializados na comercialização de livros usados - da Cidade. Esta denúncia levou à recente abertura de inquérito no 3º Distrito Policial (DP) e está prejudicando o trabalho da dona do Sebo Londrino, Elisa Figueiredo. Ela diz que as vendas caíram cerca de 30% nas duas últimas semanas.
Atuando no setor há quase cinco anos, a proprietária do Sebo Londrino - que possui cerca de 20 mil livros em 17 áreas do conhecimento - explica que, além dos prejuízos financeiros, sente-se ofendida porque muitos clientes desconfiam que ela tem participação no crime cometido contra a Biblioteca da UEL. ‘‘Como eu vendo muito no campus da Universidade, montando barraca no Centro de Ciências Humanas, os alunos e professores têm vindo conversar para saber do assunto, perguntar sobre os livros que teriam sumido da biblioteca. Isso tudo é muito chato, muito constrangedor’’, comenta Elisa Figueiredo.
Segundo ela, o Sebo Londrino sempre tomou o maior cuidado com a procedência dos livros que adquire e nunca negociou com bibliotecas públicas. ‘‘Só negociamos com pessoas físicas, e mesmo assim queremos saber com exatidão a origem dos livros comprados, para evitar problemas’’, afirma a dona da loja de livros usados. ‘‘Não fomos intimados para depor, mas estamos à disposição das autoridades, e nossa empresa está aberta à revisão, livro por livro. Trabalhamos de maneira séria e honesta, e temos o maior interesse no esclarecimento deste caso.’’
O delegado do 3º DP, Jurandir Gonçalves André, explica que já ouviu quase todas as pessoas envolvidas e as testemunhas necessárias para a conclusão do inquérito que apura as responsabilidades sobre o furto de livros da biblioteca da UEL, aberto no início deste mês. Ontem, ele ouviu um funcionário da UEL, identificado apenas como Marcelo, que teria sido reconhecido como o responsável pela venda dos livros furtados da universidade aos sebos e livrarias. Ele poderá responder por crime de peculato - uso de bem público em proveito pessoal -, cuja pena varia entre dois e 12 anos de prisão.
‘‘O funcionário negou envolvimento com o crime. Agora, faltam os resultados da perícia nos livros e da sindicância aberta pela UEL para checar o montante dos volumes furtados e dos prejuízos causados. Daí, ficará faltando pouco para concluirmos o relatório do inquérito e enviá-lo à Justiça’’, garante Jurandir André.
O Instituto de Criminalística da Polícia Civil de Londrina informou, na tarde de ontem, que as perícias que buscam confirmar adulterações em livros furtados da UEL e revendidos na Cidade estão em fase de conclusão, e terão os resultados entregues ao delegado Jurandir André nos próximos dias. A comissão que realiza sindicância na Biblioteca Central da Universidade - composta por três funcionários - também deve encerrar o levantamento de dados e emitir parecer ainda nesta semana.

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