A Câmara de Vereadores de Farol (25 km a oeste de Campo Mourão) arquivou anteontem à noite a denúncia contra o prefeito Edson Martins (PSDB). O vereador José Paulo da Cruz (PSDB) havia pedido a cassação do prefeito por ‘‘comportamento indigno à função’’ alegando que havinha sendo assediado sexualmente por Martins. Além de vereador, Cruz era motorista do prefeito e disse que foi forçado a se licenciar da função por recusar um ‘‘caso amoroso’’.
A denúncia foi arquivada por cinco votos a quatro. O resultado contou com o voto do presidente da Câmara, Salvador Faria de Souza (PSDB). A forma como a denúncia foi votada, no entanto, surpreendeu os vereadores da oposição, que são maioria no legislativo local (cinco a quatro). O vereador autor da denúncia foi afastado do cargo e substituído pela suplente Genoveva Aparecida Tomadon (PSDB) na hora da votação. Ela votou contra a denúncia.
Mesmo com os protestos dos vereadores da oposição, Salvador manteve Cruz afastado e deu o voto decisivo para o arquivamento da matéria. ‘‘O regimento interno da Câmara prevê isso’’, alegou o presidente, ontem, à Folha. ‘‘Aqui na Câmara essa denúncia não entra mais. Já passou’’, completou. Cruz, no entanto, disse que vai recorrer. Ele prometeu levar o caso ao Ministério Público, além de tentar reverter a decisão da Câmara.
‘‘Não existe isso de empossar vereador suplente só para votar uma matéria’’, reclamou ontem o vereador Irineu Garcia Silveira (PPS). ‘‘Na verdade, ficamos com 10 vereadores’’. Segundo ele, a posse de um suplente precisa obedecer um trâmite legal – ‘‘como a publicação em órgão oficial’’ –, o que não teria acontecido. A Folha tentou falar ontem com o assessor jurídico da Câmara de Farol, Wilson Ciconello, mas o celular dele estava desligado.
O vereador José Paulo da Cruz foi motorista do gabinete da prefeitura de Farol até o final do ano passado. Ele é servidor público concursado e trabalha na prefeitura há seis anos. Na denúncia que apresentou à Câmara, Cruz afirmou que vinha sendo constrangido pelo comportamento do prefeito e que acabou sendo coagido a pedir licença. Ele anexou à denúncia seis cartas que não estão assinadas, nas quais o prefeito estaria fazendo ameaças contra ele.

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