DENÚNCIA
RESTABELECIMENTO
Arnaldo Hase
Dimitri do Valle
De Curitiba

Funcionários trabalham na recuperação da linha de trem onde aconteceu o descarrilamento de cinco vagões no domingo
O descarrilamento de cinco vagões na região de Piraí do Sul, nos Campos Gerais, pode ter sido provocado pela falta de manutenção nos trilhos. O presidente do Sindicato dos Ferroviários do Paraná e Santa Catarina, Iverson Rocha, garantiu que o trecho onde o acidente ocorreu na madrugada de domingo está com linhas deterioradas. A América Latina Logística (ALL), responsável pelo transporte ferroviário de cargas nos três estados do Sul, negou a acusação. A ALL ainda não sabe o que causou o acidente.
Rocha destacou que os descarrilamentos são registrados com frequência. ‘‘A região é péssima por natureza. Existem muitas curvas e o traçado é o mais antigo da ferrovia, com cerca de 50 anos’’, disse. De acordo com a gerente de relações corporativas da ALL, Silvana Alcântara de Oliveira, empresas contratadas monitoram todos os dias o estado das linhas. ‘‘Esta denúncia do sindicato nos causou surpresa’’, afirmou.
Durante as viagens, Rocha relatou que os maquinistas costumam viajar até 300 quilômetros sem ter o apoio de nenhum funcionário nas margens da ferrovia. ‘‘Antigamente havia gente trabalhando a cada 10 quilômetros. Hoje, eles só fazem acompanhamento da localização do trem via satélite. Ninguém consegue se antecipar a um problema que possa ocorrer nos trilhos, pois não tem mais serviço de observação.’’ A gerente da ALL, Silvana de Oliveira, reconheceu que existem pontos em que os maquinistas viajam sozinhos. Ela explicou que este procedimento só foi adotado depois de pesquisas que apontaram que os trabalhadores não estavam expostos a qualquer risco.
Segundo Rocha, a fiscalização da malha ferroviária ainda compete à Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA). Para fazer uma inspeção no Paraná, a estatal designa uma comissão do Rio de Janeiro, o que compromete a eficácia do serviço, acrescentou o sindicalista.
O álcool que estava nos 19 dos 20 vagões da composição férrea acidentada já foram bombeados para outros vagões que seguiram com destino a Canoas (RS). O tráfego também foi reestabelecido na noite de domingo. Silvana informou que a ALL ‘‘não medirá esforços e custos para saber o que causou o descarrilamento’’. Ela revelou que a empresa também vai investigar se houve sabotagem nos trilhos.

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