Mauro FrassonO presidente do Conselho de Odontologia, Márcio Jacomel, tenta explicar a baixa participação no protestoApenas 15 cirurgiões-dentistas participaram de protesto, ontem pela manhã, em frente à Catedral Metropolitana de Curitiba, contra a autorização de abertura de novos cursos de Odontologia no Estado. Recentemente um nova faculdade conseguiu a liberação de um curso de Odontologia em Maringá, ‘‘sem nenhum critério de qualidade de ensino‘‘, segundo o presidente do Conselho Regionalde Odontologia no Paraná (CRO-PR), Márcio Jacomel. Outra reclamação da categoria é sobre o baixo índice de professores com mestrado e doutorado que chega em média a 12% do corpo docente das nove universidades do Paraná. O índice preconizado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) é de 30%.
Os dentistas criticam o Decreto 2306/97 que regulamentou a Medida Provisória 1477-39/97. Esta MP exime o poder público de responsabilidade sobre a abertura de novos cursos estaduais e municipais e limita o poder decisório do Ministério da Educação sobre a abertura de cursos superiores em faculdades federais. Com esta brecha, as demais podem implantar quantos cursos quiserem. Segundo Márcio Jacomel, muitos municípios ultrapassam o índice de um profissional para cada 1.500 habitantes defendido pela Organização Mundial de Saúde e isto gera uma saturação no mercado de trabalho. Em Curitiba, há 1 dentista para cada 400 pessoas e no Estado um para 700. Pensando nisto, o Conselho Federal de Odontologia apresentará ao Ministério da Saúde um programa de absorção e melhor distribuição da mão-de-obra em regiões carentes do País. ’’Geralmente quem se forma não fica no Nordeste, por exemplo, pois não existe nada que o estimule a permanecer ali. Procuram centros maiores‘‘, diz Jacomel. Outra proposta do Conselho é a implantação de prova de habilitação para os formandos: ’’Só depois é que pegariam o registro, como acontece hoje com quem se forma em Direito.‘‘
A formação de profissionais frustrados, com más condições de trabalho e mal remunerados, são as principais queixas e preocupações da categoria em relação ao futuro da profissão. Se formam por ano no Brasil, 15 mil cirurgiões-dentistas, dos quais mil no Paraná. ’’O ideal é que se parasse um tempo com os vestibulares para melhorar o mercado que já temos‘‘. Há mais de seis anos não são realizados concursos públicos no Estado. O piso atual da categoria é de R$ 360,00. Para abrir um consultório o profissional gasta de R$ 20 mil a R$ 70mil.
Jacomel diz que a Unioeste, de Cascavel, contratou recentemente um dentista que ficou em segundo lugar no concurso para professor da disciplina de Odontologia Legal e que este profissional ganha pouco mais R$ 200,00. Com base nisto, o cirurgião-dentista Djalma Fernandes - um dos participantes do protesto - afirma que existem casos de pessoas que abandonam a carreira para ingressar em outras funções. Já outras buscam alternativas paralelas de trabalho para conseguir se manter financeiramente. Existem hoje, quatro mil dentistas na capital e 12 mil têm registro do CRO.

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