Dentistas de Londrina fazem conferência em evento mundial
Paulo WolfgangConselhoWilson Trevisan Júnior: Temos que transformar a higienização bucal num hábito diário prazerosoA cada ano que passa, o setor de odontologia público e privado deLondrina firma-se como referência nacional e internacional, graças às pesquisas e tecnologias desenvolvidas principalmente pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) - aí incluída a Bebê Clínica - e Associação Odontológica do Norte do Paraná. Agora, novamente os dentistas da Cidade voltam a ser destaque durante o 18º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, que começa no próximo domingo: dos 55 conferencistas, quatro são londrinenses.
Estão inscritos para o evento mais de 40 mil profissionais da odontologia de quase todos os países do mundo. A delegação de conferencistas de Londrina é a maior do Sul do Brasil. Outra prova da excelência da odontologia londrinense é que do congresso resultará um livro científico que contará com artigos de apenas 12 dos 55 conferencistas. Entre eles estão três professores da UEL: Antônio Ferelle, Luiz Reynaldo Walter e Wilson Trevisan Júnior. O quarto londrinense conferencista no evento internacional de odontologia é Amaury Moraes Silveira.
Ferelle e Luiz Walter escreverem um capítulo do livro e falarão no congresso sobre a vitoriosa experiência da Bebê Clínica, criada há mais de uma década em parceria da UEL com a Prefeitura para atendimento gratuito a gestantes e crianças na primeira infância. A clínica fez com que Londrina atingisse, em 1996, a meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde para o ano 2000: que cada criança, com idade entre 6 e 12 anos, entre no novo milênio com apenas dois problemas de cárie ou dois dentes perdidos.
A conferência e capítulo do livro escrito por Wilson Trevisan tratarão da manutenção e saúde periodontal, compreendidos a gengiva e ossos que dão sustentação aos dentes. Depois da cárie - cuja incidência diminuiu bastante nas últimas décadas graças à fluoretação da água e avanços tecnológicos -, a periodontite (inflamação da gengiva) é a grande ameaça aos dentes, comenta o doutor em odontologia pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp).
Segundo ele, o grande problema das doenças periodontais, provocadas pelas placas bacterianas, é que elas avançam sem pressa, sem pausa e sem dor. A gengivite, que é a precursora delas, começa entre os dentes e avança para o interior das gengivas ao redor da raiz dos dentes. Quando começa a haver o sangramento, a inflamação da gengiva já está com cerca de seis meses de existência. Em consequência do avanço da inflamação, o osso que dá sustentação ao dente vai sendo reabsorvido por células de defesa do nosso organismo. Com o tempo, o dente fica mole, solto, sem suporte e cai.
Neste estágio de gravidade, o processo de perda do dente é irreversível. O tratamento dentário pode, no máximo, estacionar o ataque das placas bacterianas quando é descoberto no início. Por isto, o dentista defende a importância de um tratamento preventivo para as gengivites. E o único caminho é a higiene bucal.
Temos que transformar a higienização bucal num hábito diário prazeroso. Cerca de 98% da população tem oenças periodontais, em diferentes níveis. A única maneira de evitá-las é a escovação rigorosa e com a técnica correta. As escovas devem ter cerdas macias, flexíveis e cabeças pequenas. Podemos escovar os dentes sem a pasta, creme ou gel dental. Com ou sem o produto, a escova nunca deve ser molhada antes da escovação, porque as cerdas são de nylon e perdem a flexibilidade quando molhadas, explica Wilson Trevisan. Além disto, a escovação deve durar cerca de seis ou sete minutos. As pesquisas mostram que as pessoas gastam com ela, em média, apenas 18 segundos. É um absurdo de pouco. Devemos ainda substituir os palitos definitivamente pelo fio dental.
Ressaltando que o caminho mais curto para a conscientização da população sobre a importância da higiene bucal é através das escolas do ensino fundamental, Trevisan afirma que temos que travar contra as placas bacterianas uma luta diária. Vence quem tiver maior paciência, e infelizmente na maioria das vezes quem vence são as placas, diz. Segundo ele, o uso do fio e uma completa escovação - nos dentes, gengivas, língua e céu da boca - são os intrumentos de desorganização ao contínuo ataque de placas.





