A vontade de trabalhar pela comunidade carente levaram as dentistas recém-formadas na Universidade Estadual de Londrina (UEL) Cíntia Barroso e Aline Tavares, ambas com 23 anos, a trabalharem de graça em um barco-hospital nos rios da Amazônia durante um mês. ''Foi fascinante'', afirma Cíntia, ao relembrar os momentos em que as canoas abarrotadas de gente cruzavam o Rio Negro e encostavam no barco-hospital Manfred Grellert, mantido por pastores americanos da Igreja Presbiteriana e pela Organização Não-Governamental (ONG) Visão Mundial.
A dedicação das duas paranaenses ao trabalho voluntariado foi integral. ''Dormíamos em redes e tomávamos banho com água do rio'', destaca a londrinense Cíntia, filha de dentista. No barco em que Cíntia e Aline ficaram, no primeiro semestre deste ano, eram feitas consultas médicas e odontológicas, exames laboratoriais, pequenas cirurgias e partos. ''Não tínhamos com recusar atendimento aos necessitados. Éramos, naquele momento, a única fonte de recursos'', recorda-se.
De chinelos e sem roupa branca, elas faziam restaurações, extrações e tratamento preventivo. ''A pobreza é imensa e falta informação e interesse das pessoas em mudar seus hábitos'', analisa a dentista, que atualmente faz pós-graduação em saúde pública. Cíntia viu de perto as diferenças entre a pobreza do Norte do país e a do Norte do Paraná. Para se ter uma idéia, diz ela, a grande maioria dos moradores das vilas do Amazonas já não tem mais dentes e usam ''chapas'', como eles chamam as dentaduras.
Aqui, segundo a odontóloga, o índice de Dentes Cariados, Perdidos e Obturados (CPOD) é baixo. Com 1,1, conforme o último levantamento epidemiológico da Secretaria de Saúde de Londrina, a taxa é equivalente a de países industrializados.
A experiência das universitárias egressas da UEL serve de exemplo para que outros acadêmicos se inscrevam no programa da ONG Visão Mundial (Rua Tupis, 38, 20º andar, centro, Belo Horizonte (MG), CEP 30.190-060). ''Esperamos que surjam mais voluntários que continuem ajudando essas pessoas que tanto precisam'', declara a garota. Mais informações podem ser obtidas pela internet, no site www.visaomundial.org.br.
Antes de Cíntia e Aline serem voluntárias na Amazônia, as comunidades ribeirinhas dos rios Negro, Amazonas e Solimões não recebiam tratamento odontológico há três meses. ''Lá, dentista só aparece uma vez por mês'', relata. Cíntia espera que no futuro os profissionais se voltem ao atendimento das classes menos favorecidas. ''A solução deve ser pensada pelo governo'', conclui a dentista.

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