Dentista morre e família doa dos orgãos
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sexta-feira, 29 de junho de 2001
Alexandre Palmar De Foz do Iguaçu 
As córneas do dentista Marcelo Cardoso, 31 anos, baleado num assalto seguido de sequestro ocorrido em Foz do Iguaçu na semana passada, foram doadas ontem após os médicos confirmarem a morte cerebral do paciente e desligarem os aparelhos que o mantinham vivo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa Monsenhor Guilherme. O hospital preferiu não divulgar o nome do receptor, residente na cidade.
Apesar da família do endodonstista ter autorizado a doação de todos os órgãos, os transplantes de coração, fígado e rins foi cancelada por causa de uma parada cardíaca, de meia hora, registrada ontem pela manhã. A Central de Transplantes, em Curitiba, chegou a preparar a viagem de uma equipe para Foz com objetivo de fazer a remoção, mas acabou cancelando devido ao problema. A falta de circulação coagulou o sangue dos demais órgãos.
O irmão de Marcelo, Luciano Leite, disse que o dentista sempre havia deixado claro a itenção de doador. Ele era uma pessoa esclarecida, que trabalhava na área de saúde. É uma forma de amenizar os nossos sentimentos e ajudar alguém que esteja precisando. Segundo Luciano, a autorização foi decidida pela esposa de Marcelo, Xênia Leite; e pais, Maria Elizabete Cardoso Leite, 57, e Edson José Leite, 60. O corpo foi velado ontem à noite na capela e será cremenado em Curitiba. O dentista deixa uma menina de oito meses.
Marcelo Cardoso Leite recebeu um tiro na cabeça disparado pelo assaltante Luciano Dutra Santos, 24, que manteve o endodontista e sua secretária, Ana Maria Somavila, 20, como reféns por três horas.


