As córneas do dentista Marcelo Cardoso, 31 anos, baleado num assalto seguido de sequestro ocorrido em Foz do Iguaçu na semana passada, foram doadas ontem após os médicos confirmarem a morte cerebral do paciente e desligarem os aparelhos que o mantinham vivo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa Monsenhor Guilherme. O hospital preferiu não divulgar o nome do receptor, residente na cidade.
Apesar da família do endodonstista ter autorizado a doação de todos os órgãos, os transplantes de coração, fígado e rins foi cancelada por causa de uma parada cardíaca, de meia hora, registrada ontem pela manhã. A Central de Transplantes, em Curitiba, chegou a preparar a viagem de uma equipe para Foz com objetivo de fazer a remoção, mas acabou cancelando devido ao problema. A falta de circulação coagulou o sangue dos demais órgãos.
O irmão de Marcelo, Luciano Leite, disse que o dentista sempre havia deixado claro a itenção de doador. ‘‘Ele era uma pessoa esclarecida, que trabalhava na área de saúde. É uma forma de amenizar os nossos sentimentos e ajudar alguém que esteja precisando.’’ Segundo Luciano, a autorização foi decidida pela esposa de Marcelo, Xênia Leite; e pais, Maria Elizabete Cardoso Leite, 57, e Edson José Leite, 60. O corpo foi velado ontem à noite na capela e será cremenado em Curitiba. O dentista deixa uma menina de oito meses.
Marcelo Cardoso Leite recebeu um tiro na cabeça disparado pelo assaltante Luciano Dutra Santos, 24, que manteve o endodontista e sua secretária, Ana Maria Somavila, 20, como reféns por três horas.

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