Dentista gaúcho preside escola de Curitiba
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sábado, 18 de fevereiro de 2006
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba Até que ponto a cidade onde se nasce e a cultura a que se é submetido na infância influencia a personalidade e os gostos de uma pessoa? O dentista gaúcho Paulo Roberto Scheunemann é um exemplo de que essas questões são, sim, determinantes para a formação cultural. Apesar de ostentar uma pele alva e descendência européia, ele cresceu sobre forte influência da cultura negra, responsável pela colonização da cidade de Pelotas, onde nasceu. Resultado: desde criança, é apaixonado pelo samba, pelo futebol e, principalmente, pelo Carnaval.
''Na minha cidade é tradição. Famílias inteiras saem em blocos e em escolas'', lembra. Mas, curiosamente, o gosto pela festa se intensificou quando ele saiu do Brasil, para cursar uma pós-graduação. ''Lá fora, todo mundo me perguntava sobre o Carnaval e, apesar de gostar, eu sabia muito pouco.'' Por isso, de volta ao território brasileiro e já radicado em Curitiba, decidiu ir conferir o Carnaval mais famoso do País. Comprou uma fantasia da Estácio de Sá, e, pela primeira vez, participou da festa carioca. ''A sensação é de estar interpretando uma peça de teatro e você é um dos personagens.''
Ele gostou tanto da experiência que por sete anos repetiu a dose. ''Eu começava a pagar a fantasia em junho e dois dias antes do Carnaval desembarcava no Rio de Janeiro.'' As viagens consecutivas ao Rio acabaram em meados da década de 1990. A paixão pelo Carnaval, no entanto, não acabou. Em 1995, começou a desfilar no modesto Carnaval curitibano. Percebeu que o tamanho da festa era diferente, mas o ritual, a força e a paixão dos foliões que participavam eram a mesma. Em 1998, reuniu amigos de outras escolas de samba para fundar a Acadêmicos da Realeza.
''A única diferença da nossa escola e de uma escola carioca é que nós desfilamos com 400 pessoas e eles com 3 mil, mas o gosto pelo Carnaval e o ritual que antecede a festa é o mesmo'', reforça o dentista, que hoje preside a escola.
Este ano, Paulo Roberto vai estar na avenida na ala da harmonia, da diretoria. E para aqueles que, como ele, querem entrar em contato com a paixão da festa carnavalesca, ele dá a dica: ''Ao contrário das escolas cariocas, em Curitiba, não precisa pagar nada pela fantasia, é só participar dos ensaios e sair na avenida''. Alguém se habilita?
SERVIÇO: Ainda dá tempo de fazer inscrição para desfilar na avenida com uma das sete escolas que vão participar do Carnaval 2006, em Curitiba. Mais informações com Jane D'Avilla pelo telefone (41) 9909 3469.


