Dentista é torturada em consultório com a broca de obturação
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Paulo Ubiratan 
A dentista Érica Luriko Hamada, 26 anos, foi torturada ontem pela manhã com perfurações no pescoço e seios com a broca de obturação e pancadas na cabeça, no seu consultório, localizado na Avenida Vicente Bocuti, 649, no Jardim Maria Lúcia, zona oeste de Londrina. Segundo ela relatou à mãe, Toioko Hamada, o agressor é o antigo namorado da irmã, Eliane, identificado como Eros Barros Ferro, 19 anos.
Ele teria usado nome falso e marcado consulta para 7 horas, um horário que Érica está sozinha no consultório. Após o crime, diversos vizinhos viram Eros fugir, usando uma Jog. A vítima foi levada para a Santa Casa, onde submeteu-se a cirurgia. Segundo o hospital, apesar da gravidade dos ferimentos, a vítima não corre risco de vida. O acusado teria roubado documentos, cheques e cartões de crédito de Érica. Ele está foragido e, até o final da tarde de ontem, não havia sido preso pela polícia.
A vítima também contou para a mãe que, durante a tortura, Eros dizia que iria perfurá-la com a broca até a última gota de sangue. Ela disse ainda que, primeiro tentou reagir, mas depois resolveu fingir-se de morta. Quando Eros saiu do consultório, a dentista chamou o Siate. O atendente do Siate, cabo Tércio Decati, foi quem recebeu o pedido de socorro de Érica. Fiquei surpreso. Ela estava com ferimento na garganta e falava baixinho. Foi uma experiência inédita mas graça a Deus chegamos a tempo de salva-la, disse Decati.
O delegado do 3º Distrito Policial, Jurandir Gonçalves André, que está investigando o caso, ouviu as declarações da mãe e disse que tudo leva a crer que a tentativa de homicídio tenha sido para roubar (latrocínio). A mãe também contou que, no final de 98, Érica teria expulsado Eros da casa da família, proibindo-o de voltar a namorar a irmã. A tentativa de latrocínio estaria também vinculada a vingança, em virtude da forma como a vítima foi torturada.


