Dentista denuncia corte de árvores na UEL
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Acostumado a aproveitar o cenário verde da Universidade Estadual de Londrina (UEL) para andar de bicicleta, o dentista Glauco Antônio Vieira Borba teve uma surpresa ao retornar de uma viagem há algumas semanas e visitar o campus: uma grande parte das árvores que ele apreciara tantas vezes havia ''desaparecido''. Revoltado, Borba fez questão de contar os tocos que encontrou em seu caminho, contornando o campus da UEL, para reforçar sua denúncia à Folha: com lápis e papel na mão, ele registrou o corte de 126 árvores.
Para o dentista, que se auto-proclama um ''apaixonado pela natureza'', a imagem com a qual se deparou foi a de um ''desmatamento''. No campus, ele mesmo questionou funcionários e obteve a resposta de que as árvores teriam sido cortadas em função de obras. A justificativa não o convenceu. ''A destruição de uma árvore significa perdas e danos considerados, perde-se a qualidade de vida, perde-se a paz de nossa consciência por estar destruindo a obra de Deus, perde-se a vitalidade de seu oxigênio purificado e perde-se a alegria de sua existência ao nosso redor'', sentenciou. Ele estima que o número de árvores cortadas pode chegar a 200.
As árvores teriam sido cortadas nos últimos quatro meses, de acordo com Borba. O período foi confirmado pelo prefeito do campus, professor Laerte Matias, mas o número contabilizado pelo dentista, não. ''Não saberia dizer quantas foram cortadas, pode ser que passe de 50. O fato é que tivemos autorização dos órgãos competentes para realizar o corte, necessário para que pudéssemos refazer o anel de fornecimento de energia do campus. Ninguém aqui é irresponsável para sair cortando árvores indiscriminadamente'', defendeu-se.
Entre as espécies eliminadas no local específico indicado por Borba, a maioria são grevilhas. Funcionários comentaram com a reportagem que também foram cortados alguns ipês e, na última semana, um jatobá e uma jaqueira com mais de 30 anos de existência. ''Não acho que era necessário. Elas faziam uma sombra boa'', opinou um deles, que preferiu não se identificar. Um outro funcionário informou que o jatobá e a jaqueira foram cortados para dar mais espaço à produção de plantas medicinais.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) informou que, em 28 de julho do ano passado, autorizou a UEL a cortar 24 grevilhas, 40 árvores da espécie santa-bárbara e duas araucárias. No dia 4 de novembro, a mesma autorização foi renovada. Ainda segundo o órgão, nenhuma irregularidade foi constatada.
Para o prefeito do campus, as reclamações são exageradas. ''Não há nenhum lugar mais arborizado do que a UEL na cidade. Se você pegar uma foto do campus na década de 70, vai ver que não tinha nem 5% do verde que tem hoje. Mas temos que fazer cortes diários, é uma necessidade. Cortamos aqui e replantamos ali'', sustentou. Parte das espécies santa-bárbara, segundo ele, foram eliminadas porque envenenavam o gado da fazenda-escola.
''Eram árvores sadias, o corte poderia ter sido evitado. Há algum tempo houve uma competição de ciclismo na UEL e pessoas de outras cidades ficaram apaixonadas por aquele local tão arborizado. Gostaria que parassem de cortar antes que esse mal se propague. Mas você vai lá e vê que a motosserra não para nunca'', protestou Borba. ''Em breve ao caminhar pelo Campus veremos somente em painéis, fotos e gravuras daquilo que se chamavam árvores, pássaros e frutas.''


