Dentista alerta para o risco da compra de imóveis ocupados
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segunda-feira, 24 de novembro de 1997
Carmem Murara 
Curitiba
O leilão da Caixa Econômica Federal terminou em protestos neste final de semana. A dentista Laura Rodrigues, 27 anos, foi até a sede do banco para alertar as pessoas interessadas em adquirir os imóveis do risco de comprar casa ou apartamento que estejam ocupados pelos proprietários. Laura comprou um apartamento em fevereiro através de um leilão, mas até agora não conseguiu tomar posse do imóvel.
A mulher e o filho do antigo proprietário Wellington de Souza se recusam a sair do apartamento sob alegação que não encontram outro lugar para morar. Segundo Laura, eles não pagam o condomínio nem as taxas do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). A dentista tem que arcar com estas despesas além de pagar as prestações de R$ 300,00 relativas ao financiamento que fez por 15 anos. Ela deu entrada de R$ 7 mil para arrematar o apartamento no leilão.
Sem acordo com os ex-proprietários, Laura precisou contratar um advogado. Ele já entrou com uma ação de despejo, mas perdeu a causa. Agora, o advogado tentará recuperar o apartamento através de uma ação de imissão de posse.
Nem sei o quanto já gastei e o quanto já me preocupei com isso, desabafou Laura acompanhada do amigo Marcos Souza, que antes da abertura do leilão usou o microfone para registrar o problema. Laura reclamou da pouca informação prestada pela CEF na hora de participar do leilão. Eles apenas me disseram que se o proprietário se recusasse a sair do imóvel, em dois meses eu conseguiria retirá-lo através de uma ação de despejo no Tribunal de Pequenas Causas. O tribunal não aceitou a ação porque o imóvel tinha valor mais alto do que o patamar exigido.
A CEF alega que não tem qualquer responsabilidade nestes casos. O edital do leilão esclarece as condições do imóvel e as pessoas sabem o que estão comprando. A Caixa é um agente financeiro e é comum a venda do imóvel no estado em que se encontra, afirmou o gerente de mercado da CEF, Hermínio Basso.
Ele disse ainda que a partir do momento em que a pessoa faz a compra a CEF não tem poderes legais para solicitar a desocupação do imóvel. Mesmo assim, o banco se comprometeu a ajudar Laura na recuperação do apartamento. No leilão deste final de semana foram leiloados 51 imóveis, sendo que 31 estavam ocupados.


