Londrina - A confirmação por meio de exames laboratoriais de que o tipo 4 da dengue circula em Londrina preocupa as autoridades de Vigilância em Saúde. Pelo menos cinco pessoas foram contaminadas com a variação da doença. Os outros três tipos já haviam sido registrados em anos anteriores. De acordo com Denise Nunes, assessora da Vigilância em Saúde, órgão ligado à Secretaria Municipal de Saúde, por se tratar de um novo vírus, toda a população está suscetível. Segundo ela, os sintomas podem ser mais severos e a reincidência facilita a ocorrência da dengue hemorrágica.
Atualmente, circulam na cidade os tipos 1 e 4 da doença. "O surgimento do quarto tipo da doença é uma ameaça à saúde pública. Quem já contraiu o 1, por exemplo, está imune (do mesmo tipo), mas ninguém está a salvo do tipo 4", alertou Denise. O primeiro caso do tipo 4 foi registrado em fevereiro deste ano, porém somente este mês foi identificado pela Secretaria de Saúde. "Os sintomas são muito parecidos e como os exames são caros fazemos por taxa de amostragem", justificou. Segundo ela, a demora em reconhecer o vírus não implica em prejuízos, pois a prevenção e o tratamento são os mesmos.
Outra preocupação é com o avanço das contaminações mesmo em condições adversas. Com temperaturas baixas e estiagem que se aproxima de um mês, os casos aumentam. Nos últimos 30 dias foram registrados 12 casos confirmados da doença. No ano, o total acumulado é de 6.163 notificações e 1.137 confirmações. A situação é bem mais confortável que nos meses de maio e junho, ápice do ciclo de transmissão do vírus, porém autoridades em Saúde orientam os moradores a manter os cuidados básicos. Durante todo o ano passado, apenas 105 casos confirmados foram registrados.
Os mapeamentos da situação da dengue no município, como o Levantamento Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Liraa), apontam maior taxa de infestação nos jardins União da Vitória (zona sul) e São Jorge (zona norte) e Conjunto Novo Amparo (zona leste). Realizado no final de julho, o Liraa apontou a média de 1,1% na cidade – o índice considerado tolerável pelo Ministério da Saúde é 1%.
A dona de casa Lucimara Ramos de Almeida, moradora do União da Vitória, viu o filho Vinícius Almeida dos Santos, de 15 anos, adoecer por quase duas semanas com a dengue. "Ele passou muito mal com febre alta e dores no corpo, foi um susto grande", lembrou.
Jefferson Pedro de Oliveira, de 34, chegou a colocar uma placa na Rua Henrique Zanon para coibir o despejo de lixo e, consequentemente evitar acúmulo de objetos que podem servir de criadouro para o mosquito Aedes aegypti. Porém, a sinalização improvisada surtiu pouco efeito. "Com as ruas neste estado é difícil de o povo respeitar. A situação só vai melhorar quando chegar o asfalto", cobrou. As condições precárias de infraestrutura do bairro contribuem para o aumento da infestação. Esgoto a céu aberto e muito lixo acumulado nos terrenos baldios. A combinação perigosa coloca em risco os moradores.

Descarte
O coordenador de Endemias da Vigilância Sanitária de Londrina, Jorge Augusto Sá, relatou que 245 agentes fazem visitas por toda a cidade, orientando a população. "A questão da dengue independe de classe social. Em todos os bairros encontramos condições favoráveis de reprodução do mosquito, Às vezes o morador limpa o quintal e joga os materiais nos terrenos baldios ou em fundo de vales", contou.
Segundo Sá, o descarte irregular de lixo, principalmente de materiais recicláveis que acumulam água da chuva, é o maior problema. "É necessário uma conscientização maior. Enquanto houver condições favoráveis, os casos vão continuar aparecendo, ainda que em menor intensidade no inverno", alertou.

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