Dengue Problema é grave, mas nem todos combatem
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quarta-feira, 21 de março de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Os londrinenses estão preocupados com o grande número de casos de dengue na cidade e a maioria diz saber que estamos diante de um grave problema. Mas menos da metade parece estar envolvida no combate. Este foi o resultado de pesquisa exclusiva realizada pelo Inbrape a pedido da FOLHA de LONDRINA, e que pode ser uma das explicações para o número crescente de casos notificados. No final da tarde de ontem, a Secretaria Municipal de Saúde divulgou informações que são um alerta da gravidade da situação: Maria Isabel Gil dos Reis, 58 anos, que faleceu na madrugada no último dia 19, foi mesmo vítima de dengue hemorrágica.
Além da confirmação do primeiro caso de morte pela doença este ano, a Secretaria informou que de quinta-feira até ontem foram notificados 137 supostos novos casos. De janeiro até agora, já são 931 notificações. Destas, 125 foram confirmados como dengue. 94 são casos autóctones e 31 são importados (com origem em outros municípios).
Analisando os dados fornecidos pela pesquisa encomendada pela FOLHA, a secretária de Saúde do município, Josemari Arruda Campos, apontou que o momento é de investir na sensibilização das pessoas, ''tocar o coração de cada um para que percebam a potencial gravidade da situação''. O índice de 37,8% dos entrevistados que disseram não se lembrar da epidemia de dengue em Londrina em 2003 surpreendeu a secretária: ''Como a população pode se esquecer tão rapidamente de algo assim?''
Os dados, coletados na última sexta-feira, mostraram que 78,9% dos entrevistados estão preocupados com o problema da dengue. Um índice também alto - 84,3% - garante que mudou sua rotina, e 89,5% acham que estamos diante de um problema grave. Mas quase metade dos 402 entrevistados em todas as regiões da cidade (48,5%) acredita que a população não está envolvida no combate.
''A iniciativa de realizar a pesquisa neste momento é louvável. Foi um grande serviço de utilidade pública prestado pelo jornal. Devemos intensificar daqui para a frente a idéia de que dengue mata. Todos devem saber que estão sujeitos a ter morte por dengue na família'', afirmou Josemari. Ela não descarta, porém, a característica pedagógica da campanha. ''Precisamos continuar passando as informações sobre o ciclo evolutivo do mosquito, porque tem muita gente por aí que ainda não acredita que a larva se transforma em mosquito.''
A sensibilização, de acordo com a secretária, deverá ter como fortes aliados os agentes de saúde, que são mais de 200 no município. ''Temos que ter um exército de comunicadores em condições de levar informações que resultem em reflexões por parte das pessoas.'' Segundo Josemari Londrina vive uma pré-epidemia de dengue. ''Há risco sim de uma epidemia explosiva. Mas também temos possibilidade de abortar este risco. Tudo depende da população saber que é co-responsável e mudar o seu comportamento.''


