Dengue preocupa municípios da região
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Cambé O forte calor e as chuvas constantes são fatores de risco para o aumento de infestação pelo mosquito Aedes Aegypti, causador da dengue. Nesta semana, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) divulgou boletim que aponta que 40% dos casos confirmados da doença no Paraná estão localizados em 13 dos 21 municípios que compõem a 17ª Regional de Saúde, com sede em Londrina. O documento leva em conta o período epidemiológico que teve início em agosto de 2013 e vai até julho deste ano.
Além de Londrina, com 49 casos, Cambé e Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) também foram indicados, com 16 cada um. Com o período de férias, a grande preocupação é que o número de imóveis fechados aumente ainda mais os casos. Para evitar esse risco, os municípios estão desenvolvendo ações preventivas, inclusive com reforço no número de agentes.
Em Cambé os agentes estão empenhados no novo Levantamento Rápido do Índice de Infestação de Aedes aegypti (Lira), cujo resultado deve ser divulgado na próxima semana. Também estão sendo desenvolvidas ações educativas, com distribuição de panfletos, orientações pelos agentes e exibição de vídeos. Outro cuidado são com os locais com riscos potenciais, como ferros velhos e depósitos de materiais reciclados, que recebem vistorias quinzenais, segundo Maria de Brito Lô Sarzi, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde do município.
Nesta semana, uma equipe vistoriou imóveis no Jardim Silvino. Dos 224 casos confirmados no município em 2013, 48 foram no bairro, segundo Célia Aparecida Mazzola Koyama, coordenadora do programa de dengue. O autônomo João Galhardi desmonta máquinas de lavar, geladeiras e outros eletrodomésticos para vender as peças e acaba acumulando as carcaças no quintal. Durante a vistoria, os agentes encontraram um foco de larvas do Aedes aegypti. "A gente procura tomar cuidado, quando para a chuva busco tirar a água, mas alguma coisa pode passar", justificou, explicando que a mulher já teve dengue há alguns anos e teme ficar doente outra vez.
A auxiliar de cozinha Roseli Pereira da Silva, também moradora do bairro, afirma tomar bastante cuidado em casa, inclusive procurando ter apenas as plantas que ficam diretamente no jardim e não em vasos. "Aqui ninguém teve dengue, mas a gente toma cuidado. Lavo todos os dias a vasilha de água do cachorro para evitar o mosquito também", garante.
Ao lado da casa dela, o irmão Donizete Pereira da Silva mantém um depósito de materiais recicláveis, muitos guardados a céu aberto. "Faz 30 anos que a gente tem isso aqui, mas eu me preocupo com a dengue, afinal, temos vizinhos. Às vezes eu coloco uma lona em cima, é que esse material logo vai embora", diz, apontando uma pilha de plásticos. No meio do quintal, um engradado cheio de garrafas, todas com a boa virada para cima, rendem novas orientações dos agentes. Apesar de tudo, nenhum foco foi encontrado.
"Neste bairro temos seis pontos de reciclagem e por isso nossa preocupação é constante. O que falta é a conscientização. Fizemos um mutirão de limpeza em outubro e vejo que precisamos fazer outro urgente. No final de ano as pessoas fazem reformas, trocam os móveis e jogam tudo na calçada ou em terrenos baldios, ao invés de fazer a destinação adequada", lamenta Célia.
Em conjunto
Segundo Maria, o último Lira realizado em novembro foi de 0,5%, dentro do limite aceitável pela Organização Mundial da Saúde, que é de 1%. Entretanto, as condições climáticas podem fazer com que o novo índice seja bem maior.
"Historicamente nessa época o Lira fica um pouco acima do preconizado. Na terça-feira foi feita uma reunião com o secretariado para um trabalho conjunto. Também desenvolvemos ações especiais visando os imóveis fechados, que giram em torno de 15%. Uma parceria com a promotoria pública e as imobiliárias nos permitem ter acesso às chaves. Além disso, fazemos um horário diferenciado de trabalho e também fazemos visitas aos sábados", explica Maria.


