Dengue exige conhecimento e prática
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quarta-feira, 07 de janeiro de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - O combate à dengue está calcado na disseminação das informações sobre a doença e ano após ano as reportagens e campanhas insistem nos cuidados que os moradores devem ter para combatê-la. Muitas vezes as pessoas recebem as informações, memorizam todas elas, mas na hora de colocar em prática não executam como deveriam.
Quando a dona de casa Nair Antônia da Silva, de 77 anos, moradora da Vila Portuguesa, recebeu uma agente de endemias em sua casa, ela possuía todas as informações na ponta da língua. Ela sabia exatamente como evitar a doença e falava isso com propriedade, já que há três anos contraiu dengue. Enquanto a agente examinava a sua casa, ela foi relatando quais providências eram tomadas para evitar a doença e em seu discurso estava a preocupação de contraí-la novamente, já que a incidência de dengue hemorrágica é maior em casos em que a pessoa já contraiu a doença anteriormente.
Subitamente a agente de endemias Juliana Dantas de Carvalho deu a notícia: "Encontrei um foco". As larvas do mosquito estavam em um pedaço de um garrafão plástico no quintal de sua casa. "Para mim foi uma surpresa. Não imaginava que poderia ter um foco em casa. Agora vou intensificar ainda mais a vistoria para evitar novos focos", afirmou Nair. A agente calculou que as larvas devem ter eclodido com a chuva do fim de semana. "Depois da chuva, em 30 minutos os ovos que estavam em ambiente seco podem eclodir. E hoje eles têm sido encontrados mais em águas sujas do que limpas", informou Juliana.
A dona de casa se mostrou espantada. "Ontem mesmo estava conversando com a minha filha, que garantiu que o mosquito da dengue só poderia se reproduzir em água limpa, mas agora fiquei sabendo que isso acontece também em água suja", disse a dona de casa.
A agente Juliana alertou que, nesse período de calor intenso, muitas pessoas deixam de vistoriar os reservatórios de climatizadores e esses locais têm registrado focos de mosquitos. Ela também relatou que muitos moradores possuem o hábito de armazenar água da chuva para fazer a limpeza da casa e há a preocupação de que esses reservatórios sejam utilizados como criadouros do mosquito.
A dona de casa Geni de Oliveira, de 61 anos, moradora da Vila Portuguesa, é uma das pessoas que armazenam água da chuva para lavar a calçada. "A agente falou para eu colocar sal ou cloro para evitar que os mosquitos formem criadouros aqui", afirmou. Há três anos ela também contraiu dengue e diz que ficou com o corpo "muito ruim". "Eu fico com medo de que meu pai, que tem 93 anos, pegue a doença."
Liraa
O ano de 2014 foi um ano com poucas chuvas, mas com a chegada do verão, o aumento da incidência de precipitações com a alta temperatura é uma combinação perfeita para que o mosquito Aedes aegypt se reproduza facilmente. Desde segunda-feira a Secretaria Municipal de Saúde está realizando o primeiro Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti (Liraa) de 2015.
O último realizado na cidade apontou que o índice estava dentro do limite tolerável pela Organização Mundial de Saúde, mas já apontava que alguns bairros estavam com índices superiores a isso. Segundo a coordenadora de endemias do município, Diana Martins, no levantamento anterior a Vila Brasil (Região Central) apresentou um índice de 1,77%, o Jardim Bandeirantes (Região Oeste) apresentou um índice de 2,24%, o bairro Mister Thomas (Região Leste) registrou 1,79% e o Jardim San Isidro (Região Sul) apresentou o maior índice, com 2,42%.
Até sexta-feira, a prefeitura pretende inspecionar 9 mil imóveis de todas as regiões da cidade. Para isso, a Secretaria de Saúde conta com o trabalho de 248 pessoas, das quais 215 são agentes municipais de endemias que visitarão as casas, fundos de vales e pontos críticos. Os demais trabalham no setor laboratorial. A previsão é que o resultado do primeiro Liraa de 2015 seja divulgado no dia 16.
Segundo Diana Martins, a pretensão é que o índice fique entre 1% e 3,9%. A coordenadora também ressaltou que é importante que a população que vai viajar deixe alguém responsável pela manutenção de piscinas e quintais, além de bebedouros de animais e vasos de plantas, que podem acumular água. Ela recomendou que as calhas também devem ser vistoriadas com frequência. (Com Equipe Bonde)


