Dengue em Londrina é alarmante, diz secretária
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sábado, 17 de fevereiro de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Os londrinenses têm motivos para ficar assustados com o alastramento dos focos do mosquito da dengue e dos casos da doença na cidade, afirmou ontem a secretária municipal de Saúde, Josemari de Arruda Campos. O risco de ocorrência de dengue hemorrágica é real e, se acontecer, deverá vir com mais força do que em 2003.
Até ontem, o município já registrava 23 casos este ano - 13 originados na própria cidade e 10 importados. Outros 193 casos suspeitos ainda estão sob exame.
Alarmantes, os números ainda estão longe de traduzir a dimensão do vírus que circula pela cidade. Segundo Josemari, só entra nas estatísticas a forma clássica da doença, cujos sintomas são bem difundidos: febre alta de início súbito, dor de cabeça, no fundo dos olhos e pelo corpo, manchas. Estes representam, entretanto, não mais do que 20% dos casos de infecção por dengue.
Os demais podem não apresentar sintoma nenhum ou manifestar apenas um quadro febril confundível com outros males. Só que uma fêmea (do Aedes Aegypt) pode sugar o sangue da pessoa que está com aquele vírus, quer esteja com sintomas ou não, e transmiti-lo para outras pessoas. Por isso reforçamos: não pode ter mosquito, sublinhou a secretária.
Ela explicou que as pessoas que já foram infectadas com o vírus no passado correm o risco de desenvolver uma forma violenta de dengue hemorrágica, devido a uma reação imunológica
exagerada. Os últimos casos foram registrados em 2003, com quatro vítimas e dois óbitos, mas a inexistência de ocorrências recentes não afasta o perigo.
Josemari garantiu que o município nunca relaxou com as ações de combate e prevenção à doença, e atribuiu a nova ameaça a dois fatores: a ocorrência de muitas chuvas e o descuido que muitos moradores ainda mantêm. O entulho já foi o vilão número 1; hoje são os pratinhos embaixo dos vasos de planta, observou.
Vítimas - A família da dona-de-casa Eunice Rosana Sampaio, 28 anos, sentiu em peso o efeito do descuido alheio no combate ao mosquito da dengue. Embora a casa dela, no Conjunto Lindóia (Zona Leste), estivesse livre de focos, como atestaram os agentes, Eunice e os três filhos - de um, oito e 11 anos de idade - foram infectados. Começou com o caçula, no dia 23 de janeiro, e logo estávamos todos doentes. É uma dor incrível, eu não desejo isso para ninguém, compartilhou.
A filha mais velha, Gabriela, confirma. É uma dor de cabeça muito forte. Minha mãe me deu remédio, mas depois de um tempo não aguentei mais, relatou. Ela e os demais passaram cerca de 10 dias internados, mas já se sentem bem. É duro ver que a gente faz nossa parte, quando chove vira todos os recipientes, mas outros não estão fazendo o mesmo, lamentou.
A Secretaria irá realizar na segunda-feira uma operação 100% em todos os imóveis do Lindóia, Parque das Indústrias Leves e Alemanha, na Zona Leste. Sessenta agentes de controle de endemias vão visitar 3 mil imóveis para destruir todos os criadouros do mosquito encontrados no local.


