Dengue é a grande ameaça do verão
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domingo, 25 de novembro de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
''Com a proximidade do verão, estamos cada vez mais perto de uma epidemia de dengue hemorrágica. E isso não tem nada a ver com aquele mosquito bonitinho que sempre estampou as campanhas'', alertou na manhã de ontem, o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Martin, durante ação do Dia Nacional de Mobilização Contra a Dengue, no Calçadão de Londrina. Martin defende, inclusive, que as campanhas daqui para a frente sejam ilustradas com imagens de pacientes com dengue hemorrágica, doença que pode matar em poucas horas.
Antes de vir para Londrina, o secretário participou da campanha realizada no centro de Cambé (13 quilômetros a Oeste de Londrina), um dos municípios da 17 Regional de Saúde que mais preocupam pelo aumento de casos. No último verão, o número saltou de sete para 381 casos confirmados. Atualmente, são 385 casos notificados. Proporcionalmente, o número de pessoas infectadas pelo mosquito aedes aegypti é maior que em Londrina, que tem até o momento 798 casos confirmados e 223 suspeitos.
''A situação é ainda mais preocupante porque há três tipos de vírus circulando no País, e um quarto tipo já está na Venezuela'', lembrou Martin. Segundo o secretário, a arma mais eficaz no combate ao mosquito continua sendo a conscientização da população, que precisa deixar de ver a dengue como uma doença sem importância. ''As pessoas precisam interiorizar o problema e partir para a ação, destruindo os criadouros do mosquito em suas casas e na região onde moram.'' Ele comparou a dengue ao vício de fumar: ''Há uma consciência generalizada da população sobre os malefícios do cigarro, mas as pessoas não incorporam a idéia de deixar de fumar''.
Martin reiterou que o fumacê não resolve o problema na sua origem - os criadouros em locais de água parada. A estratégia, segundo o secretário, é utilizada apenas como ação complementar, porque só mata mosquitos adultos. Ele observou que uma das estratégias usadas atualmente é a medição bimestral do percentual de focos do mosquito, em relação ao número de habitantes, nos municípios. Cidades como Maringá, Apucarana, Foz do Iguaçu, Guaíra e Florestópolis apresentam índices acima de 1%, e já entraram em situação de risco.
Se apesar dos esforços das equipes de controle de endemias da Secretaria de Saúde, que atua em parceria com a Defesa Civil, os casos de dengue hemorrágica forem inevitáveis, Gilberto Martin informou que será implantado um plano de contigenciamento hospitalar, para permitir um rápido fluxo de atendimento dos pacientes. ''A dengue hemorrágica pode matar em um período de 10 horas. Quanto mais cedo o atendimento, menor o risco de óbito'', observou.
Além da mobilização no Calçadão, o Dia D de Combate à Dengue contou com um mutirão de combate ao aedes aegypti nos 10 bairros com maior incidência da presença do mosquito, durante toda a manhã. Foram visitadas as residências e fundos de vale no União da Vitória e Jardim Nova Esperança (Zona Sul); Jardins Santa Terezinha, Meton e Marabá (Zona Leste); Jardins São Jorge e Leonor (Zona Oeste); e o Centro Social Urbano (CSU), na Vila Portuguesa, região central. O mutirão também foi realizado no distrito rural de Paiquerê.
No CSU, os agentes recolheram grande quantidade de garrafas, embalagens plásticas e pneus. Uma das agentes alertou que um problema hoje são as garrafas de vidro, rejeitadas pelos catadores de lixo reciclável e também pelos caminhões de coleta. ''Com isso, muitos moradores vão deixando no quintal, e nem todos têm o cuidado de virar de boca para baixo.''


