Em estado de alerta contra a dengue. Esta é a condição de Londrina em relação à presença do Aedes aegypti na cidade. Segundo o Levantamento Rápido de Infestação do Aedes Aegypti (LIRAa) divulgado ontem pela Secretaria Municipal de Saúde, o índice de infestação do mosquito está em 1,6% na zona urbana. Na prática, o número indica que 1,6 em cada 100 imóveis do município apresentam focos de dengue. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que este índice não ultrapasse 1%.
As regiões com maior infestação na cidade são a leste, com 2,18%, e a sul, com 1,5%. Na zona sul, o bairro com a pior situação é o Conjunto Jamile Dequech, com 5,41% de infestação. A localidade segue empatada com o Jardim Ideal, na zona leste. Já na zona oeste, onde a infestação geral foi de 1,19%, o maior índice de focos está no Jardim Leonor (2,87%). Na área central, a Vila Casoni registra uma taxa de 2,97%, a maior da região. A média de infestação do Aedes no centro foi de 1,84%.
Ao todo, 9.249 imóveis de 182 localidades foram vistoriados para a elaboração do LIRAa, de 3 a 7 de agosto. Em abril, o índice de focos da dengue na zona urbana era de 4,8%. Já em agosto do ano passado, de 1%.
O secretário municipal de Saúde, Mohamad El Kadri, avalia que o problema é cultural. "Por mais que façamos a conscientização, o trabalho educativo e os mutirões de limpeza, os focos de água parada voltam a aparecer uma semana depois", declarou ele, ao assinalar que é fundamental o apoio da população para evitar uma situação ainda mais grave quando o verão chegar. "Agora, vamos aumentar os mutirões onde existe uma demanda maior e manter as ações de educação. O levantamento serve para nos ajudar a concentrar ações nestes locais", pontua.
De acordo com o último LIRAa, 38% dos focos encontrados nos imóveis verificados estavam em áreas cobertas. Isso incluía vasos de plantas e bebedouros de animais. Outros 31% eram focos que estavam em recicláveis e materiais inservíveis. Em algumas residências, os agentes de endemias encontraram de um a dois focos, enquanto em outras até 30 focos de uma só vez.
Na zona leste, os moradores do Jardim Ideal até tentam evitar pontos de água parada em recipientes pelo bairro, mas têm dificuldade em impedir que áreas livres se tornem lixões e sirvam de espaços propícios para o desenvolvimento do Aedes aegypti. É o caso da margem da linha férrea que passa ao lado da Rua Amianto. A área reunia ontem desde restos de estofados a sacos plásticos e latas de tinta. "O pessoal vem de noite jogar lixo. Tem que cuidar, se não fica perigoso. A gente escuta mesmo que a dengue está forte aqui", comenta o aposentado Liro Aparecido Gomes dos Santos, de 62 anos.
A também aposentada Maria das Graças Evaristo, de 62, recolhia ontem, por conta própria, na horta comunitária do bairro, embalagens que pudessem acumular água parada. "Sempre dou uma geral, para deixar tudo limpo. O problema é do lado da linha. A prefeitura vem limpar quando pedimos, mas três dias depois o lixo está lá de novo", lamenta.

MULTA

A Secretaria Municipal de Saúde também trabalha com a possibilidade de aplicar multas em donos de imóveis – sejam eles comerciais ou residenciais, que tenham focos de dengue e já tenham sido notificados anteriormente. A multa varia de 100 a 10 mil Fatores de Conversão e Atualização (FCA) – hoje, cada unidade está na casa dos R$ 2. A pasta fez 30 autuações neste ano. Vinte e seis dos processos ainda estão abertos, uma vez que os proprietários autuados recorreram.
Uma das dificuldades do setor, observa El Kadri, é evitar acumuladores na cidade. Londrina tem hoje 30 cadastrados. Para que a secretaria possa intervir, os casos precisam passar antes pela Secretaria de Assistência Social, Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e Ministério Público.
Desde janeiro, o município já registrou 7.918 notificações de dengue. Deste total, 2.627 casos foram confirmados através de exames. Todas as situações são autóctones. Outros 559 casos ainda aguardam o resultado de exames laboratoriais.

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