Embora as propagandas de medicamento alertem que alguns não devem ser usados em caso de suspeita de dengue, poucas pessoas sabem os motivos pelos quais algumas substâncias podem ou não ser usadas, e o pior, nem se lembram dos nomes. A constatação é preocupante, já que alguns medicamentos podem causar sangramento, assim como a dengue.
"A automedicação pode matar", ressalta o superintendente de Vigilância em Saúde, Sezifredo Paz, ao comentar o caso de uma moradora de Peabiru (Oeste), de 84 anos, que morreu após contrair dengue. Segundo investigações da secretaria, mesmo com dores de cabeça, vômito, febre e dores abdominais, a idosa não procurou atendimento e optou por tomar remédios sem orientação médica. "Ela tomou AAS 100 miligramas por quatro dias. O medicamento é totalmente contraindicado para pacientes com suspeita de dengue, pois favorece a hemorragia", explica.
Em uma visita à Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Leonor (zona oeste de Londrina) ontem pela manhã, a reportagem pôde constatar que os moradores até já prestaram atenção à mensagem nas propagandas, mas não conseguem identificar os medicamentos proibidos. "Nunca tive a curiosidade de perguntar e também não sei o que é contraindicado", explica o eletromecânico Leonardo Rogério.
"Sei que não posso tomar aspirina (AAS), mas não sei por que", conta o operador de telemarketing Wagner Eduardo Jacinto.
"Não sei o que poderia tomar, vejo as propagandas mas nunca tive curiosidade de saber o porquê. Acho que na dúvida é melhor procurar o médico mesmo, para evitar qualquer risco", destaca a auxiliar de serviços gerais Roseli Rosa de Almeida. Mãe de duas crianças, ela conta que as meninas tiveram suspeita da doença, o que não se confirmou. "Eu, infelizmente, tive dengue e só lembro que doía muito."
O infectologista Arilson Akira Morimoto, de Londrina, ressalta que nenhum remédio deve ser usado sem prescrição médica. "O único proibido para pacientes com dengue é o Ácido Acetil Salicílico – AAS. Todos os outros têm restrições e apenas o médico poderá avaliar o caso e indicar o medicamento mais apropriado", explica. O motivo da proibição, de acordo com o médico, é que alguns desses remédios podem causar sangramento, assim como a dengue. No caso da forma hemorrágica, irá potencializar os danos e até causar a morte.
"Idosos, crianças, cardiopatas e diabéticos também devem tomar cuidado com os remédios já utilizados, porque alguns também podem oferecer risco. Caso suspeite de dengue, entre em contato com o seu médico para verificar", recomenda.

Epidemia

O coordenador de Endemias de Londrina, Elson Belisário, alerta que o risco de epidemia ainda existe em Londrina, principalmente com o tempo quente e as chuvas quase diárias. "A redução da doença só deve começar na segunda quinzena de março. A população precisa continuar cuidando dos imóveis porque um dia pode fazer diferença na situação do município", destaca.
De acordo com Belisário, nos locais onde já houve a força-tarefa a comunidade está mais atenta e se esforça para manter os locais limpos. "Mas temos encontrado muitos focos (do mosquito transmissor da dengue, Aedes aegypti) ainda. A população precisa fazer sua parte, não pode ficar esperando a prefeitura ir até o local fazer a limpeza."

Já foram registrados 99 casos de dengue em Londrina neste ano, sendo 76 adquiridos no município e 23 casos importados. "Até 25 de fevereiro tivemos 961 notificações. Nossa prioridade é atender casos suspeitos e conseguir visitar os imóveis fechados", diz o coordenador.
O coordenador afirma que, devido às férias e ao Carnaval, o índice de locais fechados cresce bastante em janeiro e fevereiro, mas ainda não há números oficiais. "Deve estar em torno de 28%. Por isso continuaremos com as visitas aos finais de semana. Para esse estamos programando uma nova força-tarefa, em região ainda a ser determinada."

A aplicação do fumacê costal também continua. Nos bairros onde há mais casos suspeitos a aplicação é feita dentro dos quintais das casas, não apenas da rua.

Mortes

Dados divulgados na segunda-feira pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) apontam que já são seis mortes em decorrência da doença no Estado neste ano. Além disso, agora são 13 os municípios com epidemia. O Paraná já está com 5.438 casos confirmados, 1.217 a mais que o divulgado no documento anterior, além de 21.516 notificações.

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