Dengue assusta especialistas
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terça-feira, 26 de março de 2002
Katia Michelle Equipe da Folha 
Curitiba - A dengue já não é mais uma doença típica dos países tropicais. Atinge um número impressionante no que diz respeito a epidemias no mundo: estima-se que pelo menos dois bilhões de pessoas estejam expostas à doença e entre 100 a 200 milhões estejam infectadas. No Brasil, o maior número de casos é registrado no Rio de Janeiro. Até o início da semana, foram notificados 60 mil casos da doença no município, a estimativa é que os casos cheguem a 100 mil até o final de abril apenas na capital fluminense.
Os números foram divulgados ontem, durante o 5º Congresso Brasileiro de Epidemiologia, em Curitiba. E a expectativa não é das mais animadoras. O epidemiologista especialista em dengue e professor da Universidade de Brasília (Unb), Pedro Tauil, afirma que a doença está crescendo em proporções assustadoras. A dengue é atualmente a principal virose transmitida por mosquito no mundo, revela.
O motivo, explica o médico, é o crescimento desordenado das grandes cidades e as implicações que a revolução industrial provoca. Nunca se teve tanto lixo nas cidades, além disso o fluxo das pessoas aumentou consideravelmente fazendo com que a doença se espalhe com maior rapidez. Tauil afirma também que o combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, não é tão simples. Hoje o acesso às casas para eliminação dos focos de mosquito é mais difícil, esclarece.
O epidemiologista alerta sobre a ineficácia das campanhas para evitar a proliferação do mosquito, se estas forem sazonais. A dengue, explica, é uma doença sazonal, que aumenta nos períodos mais quentes do ano. Mas as campanhas e os esforços da população não podem reduzir, caso contrário o mosquito volta a se proliferar quando a temperatura aumenta, ensina.
Para ele, a população está bem informada sobre a transmissão da doença e os perigos em manter ambientes propícios para o desenvolvimento da larva do Aedes. O que falta é associar a informação à prática. A secretária municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Meri Baram, reforça que a melhor forma de prevenção é a eliminação mecânica dos criadouros dos mosquitos. Recipientes com água parada e limpa devem ser elimados. Nesse caso, a participação da população é imprescindível.


