A cozinheira Maria Inês Honório da Cruz cuida muito bem dos vários vasos de plantas que tem em casa. Há três anos ela mora numa chácara no Jardim Igapó, Zona Sul de Londrina, e nesse período nunca foi notificada pela Vigilância Sanitária. Diferente do vizinho, que no final do ano passado recebeu notificação depois que agentes da dengue encontraram um foco do mosquito Aedes aegypti num tambor cheio d'água.
Na manhã de ontem, dois agentes do controle de endemias voltaram ao local para verificar se o vizinho de Maria Inês havia se livrado dos tambores. Ele não estava em casa, mas os servidores encontraram o terreno livre de focos da dengue. ''Ele tem cuidado certinho do quintal depois que recebeu a notificação'', comentou a cozinheira.
O bairro é apontado pela Secretaria Municipal da Saúde como um dos locais onde há maior concentração de focos da dengue em baldes e barris. ''Este índice está crescendo muito em relação aos levantamentos anteriores. Enquanto um vaso de planta pode conter de dez a 15 larvas, um balde pode conter centenas e um barril milhares'', explicou a diretora de Epidemiologia e Informações em Saúde do município, Sônia Fernandes.
De acordo com o Levantamento do Índice Rápido do Aedes (Lira), realizado entre os dias 5 e 9 deste mês, Londrina registrou um índice de 0,7% da presença do mosquito, valor abaixo ao preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 1%. Os locais com maior incidência de focos continuam sendo vasos de plantas, com 38% das ocorrências. Em segundo lugar, com 25%, estão os recipientes recicláveis, acumulados em fundos de quintais. Com 16% vêm os depósitos em nível de solo, como caixas, baldes e barris, usados principalmente para o recolhimento de água da chuva.
De acordo com os dados do Lira, 98% dos focos do mosquito foram encontrados em imóveis, sendo apenas 2% em terrenos baldios ou fundos de vale. Ainda conforme o levantamento, cinco dos 18 extratos de Londrina apresentaram o índice de infestação do mosquito acima de 1%. Em um deles, que compreende os jardins do Sol, Leonor, Shangri-lá e Santa Rita, na Zona Oeste, a Saúde irá promover um mutirão de limpeza no próximo dia 20.
O primeiro Lira do ano inspecionou 8,5 mil imóveis em todas as regiões do município, num total de 5% das casas. Segundo Sônia, embora o índice esteja controlado, é importante a população continuar atenta. ''O índice abaixo de 1% não significa que não haja contaminação. No ano passado, houve índices menores do que este, o que não impediu que pessoas ficassem doentes. É importante que o trabalho continue e que as pessoas cuidem dos quintais.''
Ainda conforme a diretora, a Saúde ainda não fechou os números da dengue em Londrina relativos ao ano passado. Até agora, foram confirmados 145 casos positivos, sendo 130 autóctones e 15 importados.

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