Denarc investiga conexão londrinense
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segunda-feira, 17 de agosto de 1998
Alexandre Sanches 
A Delegacia de Narcóticos da Polícia Civil de São Paulo (Denarc) está investigando a conexão de uma quadrilha que distribui cocaína no Paraná e no interior paulista. Na semana passada, o fazendeiro Maurílio Favoreto, 48 anos, de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), juntamente com o boliviano Corkke Luiz Méyer Duran, 28 anos, o agricultor Rangel Antônio Vieira, 37 anos e Osni Filiage, 35 anos, foram presos em flagrante com mais de 70 quilos de cocaína em Nantes (SP). A droga seria distribuída nos municípios vizinhos.
A prisão dos quatro, segundo o delegado da 1ª Delegacia do Denarc em São Paulo (SP), Luiz Zilaque, foi resultado de uma investigação pesada dos policiais tanto em São Paulo quanto no Paraná. Estávamos com policiais infiltrados na quadrilha. A droga foi retirada de um traficante em Londrina e teria destino o interior do Estado, afirmou. A prisão em Nantes foi proposital, de acordo com o delegado, por questões de jurisdição.
Sabemos que eles têm ramificação em outros Estados. Agora resta a gente saber quais são os braços desta quadrilha, afirmou Zilaque. Até ontem à tarde a Polícia Federal (PF) ainda não havia sido acionada para auxiliar nas investigações do Denarc. Zilaque disse que, para investigar a ação da quadrilha no Paraná, possivelmente vão acionar a PF.
Sobre os distribuidores da cocaína em Londrina, Luiz Zilaque evitou citar nomes, mas confirmou que a cidade está na rota da droga para o Estado de São Paulo. Para ele ainda é cedo para anunciar outros possíveis envolvidos com o tráfico no Norte do Paraná e interior de São Paulo. Ainda estamos investigando. Não queremos cometer qualquer erro. Além disso, se anunciarmos os suspeitos de tráfico, poderemos comprometer todo o nosso trabalho, justificou. No entanto, garantiu que a quadrilha é grande e especializada na distribuição de drogas na região.
Após a prisão de Maurílio Favoreto, Corkke Duran, Rangel Vieira e Osni Filiage, houve a tranferência deles para a cadeia pública de Presidente Prudente (SP), por medida de segurança, por ser a maior cidade da região. Não podíamos deixá-los numa cadeia pequena como em Nantes. A transferência visa inclusive segurança da vida deles.
O Denarc aguarda para os próximos dias as informações da Receita Federal sobre os investimentos dos membros da quadrilha e onde possivelmente estava sendo lavado o dinheiro do narcotráfico. No Paraná a notícia da prisão de Maurílio Favoreto repercutiu por ele ser de uma família influente no Norte do Paraná. Os Favoreto são tradicionais na região de Sertanópolis por causa dos negócios no ramo agropecuário, principalmente no comércio de grãos.
Ontem à tarde a família Favoreto evitou qualquer comentário sobre a prisão. Na casa do fazendeiro, uma cunhada dele disse, por telefone, desconhecer qualquer ligação empresarial de Maurílio. Os amigos - que evitaram se identificar - disseram ter sido pegos de surpresa com a notícia. Ele sempre foi uma pessoa acima de qualquer suspeita. Foi um choque para todos, declarou um amigo.
Os advogados Roberto Matar e João Matar Neto, que estão com o caso, não foram encontrados ontem em Sertanópolis. Segundo a secretária do escritório, eles estariam em Iepê (SP) tentando libertar Maurílio.
A cocaína apreendida pelo Denarc pode ser parte de um carregamento trazido há menos de um mês da Bolívia, que seria distribuída em Londrina, Maringá e interior de São Paulo. Investigações sobre este carregamento estavam sendo feitas pelo serviço reservado da Polícia Militar (P-2) e Pelotão de Choque de Londrina. O comandante Ademir Costa havia até prometido um mês de férias para a equipe que apreendesse a droga.(Participou Paulo Ubiratã)


