Demora para consertar casas irrita moradores
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quinta-feira, 23 de setembro de 2004
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
O sonho da casa própria virou uma dor de cabeça para alguns moradores do Cojunto Jamile Dequech II (Zona Sul de Londrina). As últimas das 241 unidades entregues nem bem terminaram de ser construídas e foram invadidas por famílias de sem teto. Depois de retirados os ocupantes irregulares, os verdadeiros donos do imóvel herdaram estragos nas residências. Vários imóveis também foram depredados ou tiveram equipamentos roubados.
A casa de Rosinei Cassiano de Fátima, 32 anos, fica na última rua do conjunto. Para entrar na casa, a família que havia invadido arrancou uma parte da janela. Talvez com intuito de retirar a fiação, as paredes em volta das tomadas foram esburacadas deixando parte da fiação aparente.
Ela diz que a Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina prometeu o conserto antes da entrega. ''Não esperei consertar, entrei assim mesmo com medo que invadissem de novo'', conta. Ela está há mais de três meses na residência e, apesar da promessa da Cohab, os consertos ainda não foram providenciados.
Além dos estragos referentes ao vandalismo, a família reclama também do encanamento da casa. ''Cada vez que a gente vai tomar banho a água invade a casa inteira'', diz. A conta de água da família chegou a R$ 125 no último mês. ''Não é possível a gente gastar tudo isso, tem que ter algum problema'', fala.
Na casa ao lado, de Antônio Dias, 42 anos, tem quase que os mesmos problemas de encanamento e fiação, além do batente da porta que foi arrancado. ''Todo mês chega a conta para a gente pagar mas consertar isso aqui que é bom nada'', reclama. Ele diz que aguarda o conserto para trazer o resto da família para o bairro. ''Do jeito que está não dá'', diz.
Apesar de boa parte das famílias que invadiram já ter sido retirada, ainda há moradores irregulares no bairro. Uma delas é Marli Mendes Moraes, 35 anos. Ela divide a casa com duas filhas e um bebê. O proprietário da casa, segundo ela, estaria ameaçando-a a sair da residência. ''A Cohab também veio aqui e me pressionou para sair, mas eles não tem outra casa para me dar e já estou aqui há quatro meses'', argumenta.
O presidente da Cohab, Carlos Afonseca disse que a companhia está fazendo um levantamento dos problemas para iniciar os consertos. ''Temos que averiguar o que é de competência da Cohab, como são de 240 casas para averiguar individualmente isso demanda um certo tempo'', disse. Segundo ele, a companhia está levantando se os estragos foram realmente fruto de invasões e vandalismo.
Afosenca também afirmou que hoje há apenas um caso de invasão no bairro. ''Há algumas casas que estão ocupadas por parentes dos moradores, mas invasão mesmo é apenas um caso'', disse. Segundo ele, a Cohab vai retirar a família irregular.


