Demora no atendimento revolta pacientes
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de setembro de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Os percalços da saúde pública ultrapassam a simples demora no atendimento - algo que se tornou corriqueiro nos hospitais; a falta de informações também ajuda a atravancar os corredores.
Ontem de manhã, pacientes do Hospital de Clínicas (HC) que aguardavam pela coleta de sangue se irritaram com o tempo de espera.
Alguns chegaram ao hospital, no Campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), às 5 horas e até às 8h30 não tinham sido atendidos.
Entre os que esperavam, gestantes que até aquele horário estavam em jejum e pessoas que vieram de outras cidades.
A dona de casa, Valdete dos Santos, 41 anos, grávida de gêmeos há seis meses, estava indignada.''Levantei cedo e estou de jejum para fazer o exame de sangue. Tudo bem que pode ter faltado algum funcionário, mas acho uma coisa simples colocar uma etiqueta na ficha para liberar o teste. Eu notei que era uma coisa rápida e que não demora mais que 5 minutos. Eu não estou conseguindo dirigir, dependo do meu irmão para me acompanhar até o hospital e acontece uma coisa dessas'', lamentou.
A dona de casa se referia à falta de um servidor no setor de etiquetas para liberação do pedido médico de exame. Sem a etiqueta, a coleta não pode ser realizada, o que comprometeu o atendimento.
Na mesma situação estava a diarista Edmara Moretti de Oliveira, 34 anos, grávida de sete meses, moradora em Cambé (13 quilômetros a Oeste de Londrina).''Cheguei aqui às 6h30 e só consegui ser atendida às 8h30. Achei uma falta de respeito com a gente que é pobre'', protestou a diarista.
O aposentado Manoel Ribeiro Neto, 58 anos, que acabara de ser atendido, reclamou: ''É um desumano. Eu já frequento o HC há quase três anos. Sempre fui bem atendido e hoje fomos surpreendidos com a falta de funcionários. Temos aqui pessoas sofrendo por não serem atendidas. É uma falta de respeito com o ser humano'', avaliou.
O aposentado conversou com o gerente clínico do HC, Francisco Pereira Silva, que o orientou a formular por escrito a reclamação.


