O fornecimento irregular de remédios pelo governo é outro problema grave enfrentado pelos doentes renais crônicos. Na região de Umuarama, mais de 90% dos doentes são pobres e não conseguem comprar os remédios que precisam tomar regularmente. ‘‘Se tiver que comprar eu fico sem tomar porque não tenho dinheiro’’, diz Antônio Lima, 30 anos, de Cidade Gaúcha (80 km a nordeste de Umuarama). Ele está há três anos na fila de espera para transplante e faz hemodiálise três vezes por semana. Para usar todos os medicamentos necessários, um doente renal crônico gastaria em média R$ 500,00 por mês.
Segundo a nefrologista Sandra Martins, a falta de remédios nas farmácias do SUS é crônica e prejudica o tratamento dos doentes. ‘‘Num mês, eles tomam os remédios certinho e ficam bem. Um exemplo é a eritropoetina, um remédio usado para estimular a produção de glóbulos vermelhos que combate a anemia provocada pela insuficência renal e diminui a necessidade de transfusões de sangue. Cada ampola custa R$ 40,00. Até o ano passado, a eritropoetina era fornecida apenas para casos especiais, agora todos os doentes recebem.
‘‘Mês passado, o governo mandou o remédio para todos. Este mês não veio nada’’, disse a médica. A eritropoetina é essencial porque a cada transfusão diminuem as chances do doente conseguir um doador compatível.
Além desse remédio, um renal crônico precisa tomar regularmente medicamentos para controlar a pressão, vitaminas e ácidos para equilibrar o metabolismo. Os pacientes também precisam ser imunizados contra hepatite B, vacina que custa R$ 45,00 a dose e que o governo não repassa há seis meses. Os transplantados precisam ainda tomar medicamentos especiais para evitar a rejeição do órgão.

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