Demora na licitação deixa Vale da Ribeira sem acesso
James Alberti
De Curitiba
A indefinição no começo das obras da Estrada da Ribeira, na BR-476, trouxe às autoridades dos municípios do Vale da Ribeira o medo de que o isolamento provocado pelas chuvas de verão se prolongue além do próximo ano. Na semana passada o Ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, suspendeu o resultado da licitação que havia indicado como vencedora a empreiteira mineira ARG. Apesar de não divulgar oficialmente a decisão, o Ministro confidenciou-a a parlamentares do Paraná.
Ontem a assessoria da direção do Departamento Nacional de Estrada de Rodagem (DNER) afirmou que Padilha deve decidir o caso na próxima semana, depois do feriado de Finados. O Ministro pode definir como vencedora a empresa paranaense J. Malucelli, que ofereceu a menor proposta, ou abrir novo processo licitatório.
Segundo o secretário de transporte de Adrianópolis, Gilberto Raimundo Pereira, as dificuldades e os prejuízos têm sido grandes devido a falta da malha viária. O trecho a ser asfaltado de 94 quilômetros entre Bocaiúva do Sul e Adrianópolis, na divisa com o estado de São Paulo é visto como a solução para impedir que as chuvas interrompam a ligação dos municípios da região com o restante do Estado.
A suspensão do resultado da licitação foi baseada nas suspeitas de superfaturamento da obra. A ARG iria cobrar R$ 44,1 milhões para a execução do serviço. O valor é R$ 9,6 milhões acima do orçado pelo próprio DNER, órgão vinculado ao Ministério dos Transportes, e R$ 14,4 milhões a mais do que a proposta da primeira colocada, a empresa paranaense J. Malucelli.
Apesar de ter ficado em 8º lugar, a empresa mineira foi considerada vencedora. A J. Malucelli apresentou o menor custo de execução. O DNER alegou que as primeiras classificadas não haviam revalidado suas propostas, o que não foi aceito pelo Ministro.





