Demora em reinício de atividades preocupa pais
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quarta-feira, 31 de março de 2004
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Muitas mães da Zona Norte de Londrina estão ansiosas pelo início das aulas da Escola Oficina, que terá o nome alterado para Centro Social Marista Irmão Acácio (Cesomar) após a reinauguração. A escola está fechada desde dezembro de 2003 e, segundo a coordenadora-geral do centro, Jimena Grignani, as aulas só deverão ser reiniciadas na última semana de abril.
A instituição passou para as mãos dos Irmãos Maristas em dezembro de 2003. Três meses antes o município havia encampado a escola, após o afastamento da antiga mantenedora, a Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon), depois de denúncias de irregularidades. A transição foi conturbada, com vários tumultos e atos de vandalismo dos alunos.
Desde janeiro a escola, localizada no Conjunto João Paz, passa por reformas. Segundo o assistente administrativo do Cesomar, Aguinaldo Cerconi Guerreiro, a obra está na fase de acabamento e só faltam as mobílias e os equipamentos. ''O prédio deve ser entregue ainda esta semana'', declarou. Após a reestruturação física, o centro contará com salas amplas, biblioteca e um laboratório de informática, além de quadras esportivas.
Mas a demora para o início das aulas está incomodando algumas mães. ''Eu sinto falta da escola. Agora os meus filhos passam a tarde toda na rua fazendo arte. Antes eu ficava sossegada'', contou a dona de casa Zenaide de Oliveira Rosa que tinha os dois filhos, Geisiele e Gean, matriculados na Escola Oficina. A adolescente Giselda Ribeiro de Paula, de 15 anos, que estudou seis anos na escola, também espera ansiosa. ''Eu estudo à noite e fico o dia inteiro sem fazer nada''.
Segundo a coordenadora do centro, as crianças não serão prejudicadas com o ínicio tardio das aulas, pois o trabalho oferecido pelo centro é diferente da educação formal. Ela também lembra que a maioria dos ex-alunos da escola oficina foi encaminhada para outros projetos e que haverá uma mudança nos critérios de seleção. Antes a escola atendia adolescentes infratores. Agora qualquer aluno da região, que pertença a família carente e que estiver matriculado em alguma escola pública, poderá se candidatar a uma vaga. O adolecente não poderá estar inscrito em outro projeto social.
A alteração possibilitou que a dona de casa Maria das Graças da Silva pudesse de inscrever a filha de 13 anos na escola. ''Antes não tinha condições de mandar ela para lá, era perigoso'', disse. Agora, Maria sonha em dar mais oportunidades para a filha. ''Aqui em casa a gente ensina o que sabe como lavar roupa e cozinhar, mas lá ela vai aprender informática'', apontou.
O centro deverá atender 200 adolescentes, entre 12 e 16 anos, que serão divididos em dois turnos, matutino e vespertino. ''A prioridade será para os alunos das regiões vizinhas, mas posteriormente pretendemos expandir esse atendimento'', disse a coordenadora.
Outra novidade é a mudança no projeto pedagógico. ''A escola vem para complementar. Não vamos dar cursos profissionalizantes e sim oficinas voltadas para as artes e educação, que desenvolvam a competência e habilidade dos alunos'', explicou Jimena. A reinauguração do centro está prevista apenas para o mês de julho.


