Acabou a paciência dos alunos do Instituto Federal do Paraná (IFPR), em Londrina, com a reforma de ampliação do prédio. Cansados de esperar por uma resposta definitiva da direção, estudantes e professores fizeram uma paralisação geral durante todo o dia de ontem para protestar contra a obra, que tem trazido inúmeros transtornos a quem frequenta a instituição, localizada na Rua Alagoas, área central, todos os dias. Com cartazes e máscaras, eles pediram o fim da reforma.
A situação é de caos total. Desde a entrada do prédio, por onde se anda o rastro é de poeira, areia e terra. Na cantina, provisoriamente montada no corredor de entrada, os alimentos são vendidos em meio a sujeira. Salas estão interditadas. Nos corredores, os alunos são obrigados a desviar de andaimes e outros materiais de apoio da obra. Nos laboratórios, localizados no segundo andar, a situação é ainda mais crítica. As instalações elétricas estão precárias, com fios desencapados, que se tornam um perigo para os alunos. Na estrutura improvisada, não há extintor de incêndio. "Se tiver um incêndio aqui, fica complicado", reclama o professor Reinaldo Nishikawa.
Ele diz que as obras começaram no início deste ano e desde então se arrastam sem uma explicação da direção. "Foi avisado que teria a obra, mas que ela duraria apenas uma semana e, de lá para cá, toda semana está para terminar, mas não acaba nunca. A gente não aguenta mais", desabafou Nishikawa.
O professor conta ainda que desde que a obra começou, até animais peçonhentos, como escorpiões, já foram encontrados no prédio. Segundo ele, 35 alunos pediram afastamento das aulas por conta de problemas respiratórios. "A poeira é insuportável e o barulho atrapalha demais. Não consigo escutar o que o aluno pergunta a alguns metros de mim. E por isso fizemos essa manifestação hoje, queremos mostrar para a sociedade o problema que estamos vivendo. Nossa preocupação é com aluno, com o lado pedagógico, que fica muito prejudicado com uma situação dessas", cobrou.

APRENDIZADO
"O que atrapalha demais é o barulho. Já teve dia de estarmos na aula e os pedreiros começarem a conversarem, parecia que eles estavam dentro da sala com a gente. Já teve dia da gente ter que limpar também, de tão sujo que estavam as coisas na sala. O nosso aprendizado está muito comprometido", descreveu o estudante do curso de técnico em Informática, Edwards Ilhe.
Na quadra de esportes, onde os estudantes realizam atividades esportivas no contraturno escolar, a situação também é crítica. "Temos que nos policiar para não escorregar com tanta terra e poeira. Dois alunos já caíram e quebraram o braço. É horrível, a roupa sai toda suja, até evito vir de roupa branca", contou a estudante Gabriella Assueiro, de 16 anos.
O professor Paulo Pereira cobra mais segurança no campus, que abriga atualmente pouco mais de 300 alunos diariamente. "Já teve dias dos operários passarem no meio dos alunos carregando sacos de cimento nas costas, eles com capacete e os alunos, não", relatou.

ESTRESSE
O diretor geral do IFPR, Amir Limana, admite o atraso, mas garante que nunca virou as costas para o problema. "Sempre foram atendidos. Tudo que está aqui é pelas nossas intervenções. A obra está praticamente encerrada. Chegou a um ponto de estresse que extrapolou, mas não que a direção não tenha feito nada", defendeu-se.
"O prédio tinha uma série de problemas, entre eles a segurança dos alunos e o acesso para deficientes, e nós pedimos para eles resolverem. Combinamos que seria feito nas férias, mas por problemas climáticos eles não conseguiram fazer. O que era uma obra pequena se tornou grande e já devia ter terminado há muito tempo", completou o diretor, que prometeu esforços para tentar encontrar uma solução o mais rápido possível para o problema.
O prédio onde está o IFPR está alugado por R$ 26 mil/mês e o contrato será renovado por mais um ano. A mudança definitiva só deverá ocorrer quando o campus próprio, que será construído na Avenida da Liberdade (zona Norte), ficar pronto, o que deve acontecer somente em 2018.

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