Demora em poda de árvore irrita contramestre
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segunda-feira, 07 de julho de 1997
Célia Baroni Londrina 
O contramestre Antônio da Silva se diz indignado com a demora no atendimento a pedidos de serviços encaminhados à Autarquia Municipal do Ambiente (AMA). Ele reclama que, há mais de dois meses, espera a equipe da autarquia para fazer a poda de uma árvore na rua domingos Antônio Marroni, no jardim Monte Carlo (zona leste), onde ele mora. Essa árvore está enorme e nunca foi podada pela Ama, afirma Antônio da Silva.
Ele conta que nem mesmo o pedido de urgência de corte de outra árvore, feito há mais de um mês, foi resolvido. Esta árvore, segundo ele, está inclinada e ameaça cair sobre os fios de alta tensão, representando um risco para os moradores da rua.
Depois de ter tentado várias vezes sensibilizar os funcionários para que atendessem meu pedido, desisti e resolvi ir pessoalmente até a autarquia. Achei um absurdo o descaso e desorganização com que tratam a gente, critica. O contramestre conta que, na sexta-feira, foi até a central de atendimento com o número dos pedidos - o 3.672/97, feito em 24 de abril, e o 4.445/97, feito no dia 5 de junho - e pediu comprovante dos dois procedimentos. A atendente informou, no entanto, que só tinha o último pedido em seus registros.
Antônio da Silva acrescenta que a atendente não soube fornecer nenhuma previsão sobre quando a equipe poderia atender a seu pedido. Ele pediu então para conversar com o chefe do departamento e foi encaminhado a uma sala onde esperou mais de uma hora, sem sucesso. Ela disse que eu iria falar com um certo Sidney, mas ele não apareceu naquela sala. Eu me senti um palhaço, perdendo tempo de trabalho para ser destratado, conta.
Segundo ele, durante o tempo de espera conversou com várias pessoas que também tinham ido até a AMA reclamar. Eles não deixam a gente fazer mas também não fazem o serviço, reforça. O contramestre quer que, a exemplo de outros municípios, o serviço de poda seja rotineiro e atenda toda a cidade periodicamente. Isso evitaria, na sua opinião, o acúmulo de pedidos.
Pedir o serviço hoje e querer ser atendido em dois dias é complicado. Mas aguardar dois meses também já é demais, argumenta. Para Antônio, só a incompetência na organização dos trabalhos explica a demora. Não acredito que seja por falta de funcionários. Mas se é esse o problema, então que remanejem de outros lugares ou contratem. Afinal a gente está pagando pelo serviço.
A Autarquia de Meio Ambiente (AMA) consegue atender apenas um terço dos pedidos de poda e corte de árvores registrados. A informação é do diretor operacional da autarquia, Júlio Bittencourt, que confirma a demora no atendimento dos serviços solicitados pela comunidade. O cidadão tem direito ao atendimento, mas a AMA não tem recursos humanos e estrutura física para atender a demanda, justifica. Ele admite que casos como o do contramestre Antônio da Silva - esperar mais de dois meses por um serviço - são comuns.
A autarquia recebe, mensalmente, cerca de 2.100 pedidos de corte e poda de árvores, segundo dados fornecidos pelo diretor. E as seis equipes que atuam no setor, que totalizam juntas 36 funcionários, conseguem atender em média 700 pedidos por mês. Uma das razões do estrangulamento, analisa Bittencourt, é a jornada de trabalho reduzida, instituída na administração passada. Os funcionários da autarquia trabalham uma jornada semanal de 30 horas, de segunda a sexta-feira. Isto reduz sensivelmente nossa capacidade de atendimento, afirma.
A situação se agrava, na opinião do diretor operacional, porque não há perspectivas de aumento do quadro de funcionários. A Prefeitura não tem recursos e a meta, agora, é o enxugamento da máquina para reduzir custos, adianta. A possibilidade de remanejamento de funcionários de outros setores da autarquia para atividade de poda e corte também já foi estudada, mas considerada inviável. O diretor operacional explica que, recentemente, foi necessário tirar funcionários de outros setores para aumentar as equipes de varrição.
O remanejamento, diz Bittencourt, foi inevitável porque a população está jogando muito lixo nas ruas. As pessoas têm que colaborar com o serviço público ajudando a não sujar as ruas e avenidas e jogando o lixo no lixo. Além da questão ecológica, isso significaria uma economia para o município e, indiretamente para o próprio contribuinte, apela.Estamos trabalhando no limite. Se tirarmos funcionário de um setor, vamos deixar de atender um serviço para atender outro.
Um convênio assinado com a Copel vai viabilizar a poda de 50 mil árvores na Cidade. São árvores que estão colocando em risco a rede elétrica, esclarece o diretor. O trabalho já começou e vai reduzir bem a demanda da AMA. Mas não resolve o problema, diz Bittencourt.
Uma das alternativas em estudo é a terceirização do serviço. A AMA, defende Bittencourt, continuaria prestando o serviço, mas a comunidade teria a possibilidade de recorrer a uma empresa particular caso quisesse um atendimento mais rápido. A emissão da autorização para poda e corte permaneceria com a autarquia.


